AVC (mais conhecida como derrame). São apenas três letras, mas que hoje representam a principal causa de morte da população brasileira. Segundo artigo publicado em 2008 pela Dr. Sheila Cristina Ouriques Martins, Coordenadora do Programa de neurologia vascular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o Acidente Vascular Cerebral é responsável por 30% dos óbitos na população brasileira.
Em Franca, a doença foi a que mais matou em 2007 (veja quadro ao lado), segundo dados da Secretaria de Saúde. Os números de 2008 não estão compilados. O assunto voltou à tona com a morte do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) na última terça-feira em Brasília (DF). Ele passou mal dois dias antes após sofrer uma queda em decorrência de um AVC.
Para não entrar nesta estatística é necessário se prevenir desde jovem. Existem dois tipos de AVC. O isquêmico e o hemorrágico. O primeiro é o mais comum, pois representa aproximadamente 80% dos casos e consiste na obstrução de uma artéria por causa de um coágulo de sangue. O segundo é ocasionado pelo rompimento de uma artéria no cérebro.
Apesar de serem dois tipos, a prevenção do AVC é a mesma: medir periodicamente a pressão arterial, ter uma boa alimentação, praticar atividades físicas, controlar a diabetes e o colesterol, não beber excessivamente, não fumar e tratar os problemas cardíacos. ``O principal ponto a ser discutido sobre o AVC é a prevenção, que deverá ser feita desde jovem``, alertou a neurologista Edith Pádua.
Além da prevenção, o neurologista Alexandre Henrique Martori destaca a importância do atendimento rápido à vítima de um AVC. ``Se o paciente receber tratamento até três horas depois de sofrer o AVC, as chances de recuperação são muito maiores``, afirmou.
O tratamento mais moderno é o R-TPA, uma espécie de anticoagulante, mas que só pode ser ministrado nas primeiras três horas após o início dos sintomas (depois disto o risco de hemorragia é muito alto). Por ser um tratamento novo e caro, o SUS (Sistema Único de Saúde) ainda não oferece este recurso em Franca.
O que dificulta o socorro rápido é a falta de informação da população sobre os sintomas do AVC. ``Muitas pessoas não os reconhecem (os sintomas)``, contou Martori. Os principais são: dor de cabeça súbita, alterações motoras, paralisia na face, visão alterada e fala debilitada. Ao sentir algo, a pessoa deve procurar um médico o quanto antes.
PESQUISA
A revista Stroke, a mais conceituada em AVC do mundo, publicou em fevereiro do ano passado uma pesquisa para saber qual o nível do desconhecimento dos brasileiros sobre os sintomas da doença.
Foram ouvidas 801 pessoas em lugares públicos de Ribeirão Preto, São Paulo, Salvador e Fortaleza. Destas, um quarto não sabia quais eram os sintomas. Somente 26,5% disseram que o neurologista é o especialista responsável para tratar o problema. Algumas pessoas disseram que levariam o paciente ao cardiologista, clínico geral e até ginecologista. O AVC atinge principalmente pessoas com idade acima dos 40 anos, mas todos estão sujeitos.
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