Acabo de receber convite para a posse do novo colegiado do Conselho Municipal da Juventude, certamente enviado pelos meus amigos e futuros conselheiros Leonardo e Edgar e de ler a matéria publicada pelo Comércio relatando visita deles ao jornal.
A renovação do Conselho me provoca reflexões e a principal delas é quanto ao papel que esse órgão deve ter na sociedade francana. Poderá soar um tanto estranho para alguns, acostumados à praticidade da vida, entender o porquê de um conselho do tipo.
Afinal, os jovens não fazem parte da sociedade? As diversas políticas públicas não os contemplam nas suas necessidades? Se entendermos que a juventude é o “futuro”, não seria automático cuidarmos dela? A verdade é que os jovens (população na faixa dos 15 aos 24 anos), enquanto focos de políticas públicas, figuram apenas quantitativamente. São poucas as políticas públicas que consideram a importância e a realidade do jovem brasileiro.
Apesar de termos vários países na América Latina e Europa com acumulada experiência em políticas estatais para a juventude, o Brasil começou a dar atenção a essa parcela da população apenas a partir de 2005, quando o governo Lula criou a Secretaria Nacional de Juventude, “fruto da urgência contemporânea de compreender a juventude como segmento social específico e o jovem, como sujeito portador de direitos”.
O novo conselho francano deverá considerar a urgência de coordenação para as políticas públicas e da sociedade civil e, também, o estabelecimento de canais de participação da juventude na definição dessas mesmas políticas.
O Grupo Interministerial da Juventude, outra iniciativa importante do governo federal, criado em 2004, enfatizou a necessidade das ações públicas específicas e destacou nove eixos transversais que devem orientar a política nacional (e municipal) de juventude. São eles: ampliar o acesso e a permanência na escola de qualidade; combater o analfabetismo entre os jovens; preparar para o mundo do trabalho; gerar trabalho e renda; promover vida saudável; ampliar o acesso ao esporte, ao lazer, à cultura e às tecnologias da informação; promover os direitos humanos e as políticas afirmativas; estimular a cidadania e a participação social; melhorar a qualidade de vida dos jovens do meio rural e das comunidades tradicionais.
Portanto, não há como discutir políticas para a juventude se não houver uma ampla integração entre todos os setores públicos e privados. Só assim poderão ser mais racionais e eficazes.
Além dessas preocupações práticas com a inserção social do jovem caberá também ao conselho enveredar por questões que afligem os jovens de forma geral.
A sociedade de consumo agride valores familiares e morais, fazendo com que todos percam o limite do bom senso e alguns escrúpulos. Portanto, se não for ser muito pretensioso e se o conselho estiver bem representado, poderá transpor para toda a sociedade um pouco das ansiedades e expectativas que o jovem tem. Quem sabe isso não ajudaria a reescrever o próprio futuro?
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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