Um pedaço da história


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<b>SOLITÁRIA</b> - Às margens da estrada foi construída a menor das capelinhas da Vicinal Taquari. Não se sabe ao certo quando foi construída, mas reza a lenda que foi erguida em homenagem a um padre que morr
<b>SOLITÁRIA</b> - Às margens da estrada foi construída a menor das capelinhas da Vicinal Taquari. Não se sabe ao certo quando foi construída, mas reza a lenda que foi erguida em homenagem a um padre que morr
A vicinal do Taquari, que liga Pedregulho a Rifaina, esconde um verdadeiro tesouro. Capelinhas às margens da estrada transportam os visitantes de volta ao passado. São quatro. Pequenas e bem simples. Mas nem por isso deixam de encantar e de despertar a curiosidade de quem passa pelo local. Segundo os moradores locais, as igrejinhas têm mais de 60 anos. Foram construídas todas por fazendeiros que eram católicos fervorosos. Passado tanto tempo, das quatro, apenas uma ainda é frequentada. As demais permanecem fechadas à mercê do tempo. A explicação é simples. Os parentes dos antigos fazendeiros católicos hoje são espíritas e construíram um Centro só para eles. Está lá entre as capelinhas. Quem transita pela estrada sentido Rifaina/Pedregulho já no trecho de terra logo vê a primeira delas. De paredes rosa já bem desgastadas e porta verde. No lugar onde um dia existiram janelas hoje é cimento pintado de verde. A porta fica amarrada com um pedaço de arame. A capelinha fica protegida embaixo de enormes árvores dando um ar bucólico ao lugar. Fica em frente à entrada da fazenda Cachoeirinha, de propriedade de Marco Bisco, 42. O fazendeiro conta que a construção foi feita pelo avô há mais de 60 anos. “Ele era muito católico e, na época, era uma tradição construir igrejinhas”. Espírita, Bisco não usa a capela, que fica fechada. “Eu deixo ela como está em homenagem ao meu avô. Até mesmo o altar está quase do mesmo jeito”. Andando um pouco mais, o visitante vai se deparar com a segunda capela. Um pouco maior, mas também bastante castigada pelo tempo. Paredes brancas e com janelas azuis, está fechada há anos. Já na estrada pavimentada, a capelinha é privilegiada com a paisagem. Foi construída no local onde se tem a vista mais bonita de toda a estrada. De lá, é possível ver a represa de Jaguara até próximo à ponte que faz a divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Só mesmo estando com muita pressa para não parar e admirar. A dona de casa Júlia Moreira, 75, também se tornou espírita, mas diz que mantém sempre limpo o altar da igrejinha que foi construída há mais de 80 anos pelo sogro. “Lá eu mantenho imagens de São Sebastião, Nossa Senhora Aparecida e São Benedito. Estou sempre limpando”, disse. Em respeito ao sogro, também não tem coragem de derrubar a capelinha. Logo na frente, está a terceira igreja da Vicinal Taquari. Bem mais espaçosa, foi construída ao lado de uma escola rural. A dona de casa Ernestina Barbosa Cardoso, 77, uma das poucas católicas do local, mora a poucos metros da igreja e acredita que foi construída há mais de 70 anos. A única a ter missa uma vez por mês. Toda terceira sexta-feira do mês um padre de Pedregulho é esperado pelos fiéis. “A igreja fica lotada. Além disso, uma vez por ano fazemos a Festa de São Sebastião. Fica bem animado, tem até barracas de comida. Ter essa igreja é muito bom, porque nem todos têm condições de ir até Pedregulho para acompanhar as missas”. A igrejinha é a mais cuidada, tem paredes amarelas e portas azuis. Em frente, foi erguida uma cruz de madeira. Ela é cercada por um alambrado e o dinheiro arrecadado com as barraquinhas de alimentação é destinado à construção do salão de festas. “Sou uma das responsáveis por manter a igreja limpa. Quando tem missa, eu e outra vizinha sempre limpamos”, disse Ernestina. A última igrejinha, quase já em Pedregulho, é a menor delas. De tão pequena, nem janela tem. Foi construída em um pasto às margens da estrada. Como não há moradores próximos, não é possível saber a real história da capelinha. Mas reza a lenda que foi construída em homenagem a um padre que morreu no local em um acidente de carro. Quatro cruzes de madeira fincadas em frente à igrejinha reforçam a tese.

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