Lona estendida, arquibancada montada, plateia ansiosa: o espetáculo vai começar. Malabaristas, acrobatas, contorcionistas, equilibristas, domadores, mágicos e palhaços. São artistas de circo, pessoas comuns, mas que por algumas horas assumem outras identidades e fazem, de poucos instantes, uma grande atração. Estes profissionais levam a vida a serviço da alegria e estão sempre com o pé na estrada procurando novos públicos.
A presença de um quadro em rede nacional mostrando a vida de um artista do gênero evidenciou a profissão. Mesmo assim, para a maioria dos circenses, a carreira deveria ser mais valorizada.
O cenário destes profissionais também mudou. Antes era difícil encontrar artistas que não fizessem parte da família ou das gerações nascidas dentro do circo. "Os artistas eram confundidos com ciganos. Aos poucos esse preconceito foi se perdendo. Agora a atividade vem atraindo pessoas que nunca tiveram contato com picadeiro, mas que sempre admiraram a arte", disse o empresário de circo Jefferson Rakmer. Ele vem de uma família ligada intimamente à arte circense. Seus pais foram donos de circo e durante anos ele trabalhou com Beto Carreiro.
Rakmer afirma que entre os profissionais, hoje, a maior parte é formada por jovens. "Os mais velhos dão apoio, mas a grande safra de artistas é mais nova". Jovens como Harley Belarmino de Souza, 27, (mais conhecido como palhaço Nenê, do circo Rakmer).
Desde os 5 anos ele já trabalhava nesta função. Com o tempo passou a fazer parte do “globo da morte”. "Minha família me incentivou e não me vejo fazendo outra coisa". Entre as qualidades da profissão, ele destaca não ficar preso a nada, viajar e conhecer pessoas. "E, claro, conquistar o riso da plateia", disse. Para ele um dos pontos negativos da carreira foi a proibição de animais nos espetáculos circenses. "Isso afetou de forma direta na diminuição do público, aí não há ‘palhaço’ nenhum que fique contente com isso".
No circo, a maioria dos artistas trabalha informalmente, sem carteira registrada.
A profissão também tem alta rotatividade, os artistas estão sempre mudando de espetáculos e de circo. São feitos contratos de em média um ou dois anos e os salários são pagos semanalmente. "Os valores variam de acordo com a qualidade de cada artista e de acordo com o tempo de circo que se tem", disse Rakmer. A remuneração é de em média R$ 80 a R$ 500 por semana.
É comum os artistas fazerem um pouco de cada coisa. O palhaço, também pode ser equilibrista, figurante, participar do “globo da morte” e de quebra vender brindes e comidas no intervalo. "Ele pode ganhar mais, conforme suas participações em outras funções dentro do circo", esclareceu Rakmer.
<b>SERVIÇOS</b>
<i>Após um mês estacionado, em frente à Apae, o circo Rakmer se despede de Franca nesta semana. Os últimos dias de espetáculos serão de quarta a sexta-feira, às 20h30, e no sábado e domingo, em três horários: 15 horas, 17h30 e 20h30.</i>
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