Empresa corta produção e demite 500 funcionários


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EFEITOS DA CRISE - Presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão; Karlitos demite 500
EFEITOS DA CRISE - Presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão; Karlitos demite 500
A Calçados Karlitos, fabricante de sapatos esportivos, vai derrubar pela metade sua produção, de 6 mil para 3 mil pares por dia. A medida resultará no desligamento de 500 trabalhadores indiretos, como bancas de corte e pesponto terceirizadas, e também de funcionários diretos. As demissões foram iniciadas em fevereiro e seguem até o fim de março. A Karlitos não informou o número de empregados que manterá. O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria e Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, foi o porta-voz da diretoria da empresa, que não se manifestou diretamente. Justificou as demissões com a queda nas exportações de calçados do setor. “Para se ter uma ideia os meses de janeiro e fevereiro de 2009 apresentaram queda de 72,52% em pares exportados e 69,09% em dólares, comparando ao mesmo período do ano passado”, disse Brigagão. Como a Karlitos é uma das poucas empresas da cidade que produz e exporta 100% a marca do cliente, sentiu em cheio o golpe e foi obrigada a derrubar sua produção. Para Brigagão, a situação reflete a crise mundial, instalada desde outubro de 2008. “Nosso maior comprador continua sendo os Estados Unidos, que estão em recessão”, afirmou. As demissões na Karlitos não causaram surpresa à direção do Sindicato dos Sapateiros. O presidente Paulo Afonso Ribeiro afirmou que demitir é uma prática comum na empresa pelo tipo de negócio que praticam. “Eles fabricam Adidas, que é uma marca fabricada no mundo inteiro. No fim do ano passado contrataram mais de cem pessoas para fazer produção de três meses. Estão falando, agora, que não está confirmado novo pedido. Se não confirmarem, vão demitir de novo”, disse. A reportagem tentou contato com o diretor da Karlitos, José Milton de Souza, em três ocasiões na tarde de ontem, mas ninguém atendeu ao telefone na fábrica. QUADRO RUIM De fevereiro até o fim de março, somente duas fábricas terão demitido, juntas, 650 funcionários. Além dos 500 da Karlitos, a Tenny Wee deu aviso prévio a 120 empregados e até o fim desta semana dará a outros 30 (leia mais ao lado). Outra empresa que esteve perto de demitir 300 trabalhadores foi a Carmen Steffens. Os desligamentos só não foram efetivados porque houve um acordo - à re-velia do Sindicato dos Sapateiros - com os funcionários para a redução da jornada de trabalho e salários. Para o Sindifranca, se o Sindicato dos Sapateiros aceitasse a implantação do banco de horas, a Karlitos demitiria 60% menos empregados do que anunciou.

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