Páscoa: hora de lucrar


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Até o fim deste mês, mais de 1,5 mil mulheres devem inundar a cidade de Franca com milhares de ovos de Páscoa e bombons. Elas têm sido capacitadas em cursos da Prefeitura, do Sesi e de lojas revendedoras de chocolate. A grande procura pode ser explicada pela perspectiva de incrementar a renda familiar, minguada pelo desemprego no setor calçadista. Especialistas na fabricação da guloseima garantem que é possível ganhar até três vezes mais do que foi gasto. Nas aulas, que duram em média três horas distribuídas em dois dias, as alunas aprendem a evitar o desperdício e a utilizar materiais alternativos no preparo e decoração de ovos e trufas. De acordo com Eliana Helena Pinto, culinarista e professora do curso oferecido pelo Fundo Social de Solidariedade, é possível transformar um investimento inicial de R$ 12 em R$ 35, mas é preciso pesquisar na hora de comprar os materiais. “A gente encontra diferença de até 30% no preço do chocolate de uma loja para a outra”, disse. Eliana ainda acredita que, para quem se dedicar, a fabricação do doce pode garantir um bom dinheiro mesmo depois da Páscoa. “Chocolate vende o ano inteiro. Logo vem o dia das mães, dos namorados e por aí vai. Tenho amigas que estão conseguindo quitar grandes dívidas como aluguel e financiamento do carro com o que ganham fazendo e vendendo bombons”. LUZ NO FIM DO TÚNEL O discurso de Eliana vai de encontro com a esperança das cerca de 30 alunas que assistiam sua aula ontem à tarde. Em uma sala nos fundos de uma igreja evangélica no Bairro Vera Cruz, elas confidenciavam umas às outras os motivos que as levaram até lá. A dona de casa Rosineire Santana, 37, contou que trabalhava em fábrica de calçados, mas deixou o posto há alguns anos para cuidar de seus cinco filhos. No fim do ano passado, Rosineire viu o marido ficar desempregado e decidiu tomar uma atitude. “A vida está difícil e ele só recebe o seguro-desemprego até o mês que vem. Eu tinha de fazer alguma coisa”. A mesma dificuldade levou a dona de casa Lilian Batista, 27, a se juntar ao grupo. “A fábrica em que meu marido trabalhava faliu há quase um mês e ainda não conseguimos receber os direitos trabalhistas dele nem dar entrada no seguro”, lamentou Lilian, que é mãe de três filhos. Para Anieli Pereira dos Reis, 18, a fabricação artesanal de chocolates surgiu como uma chance de ajudar em casa. A jovem é a sexta de sete irmãos, um deles deficiente físico, e trabalha desde os 16 anos. “Meu último emprego foi de balconista em um supermercado aqui no bairro. Saí de lá há um mês e desde então procuro uma alternativa. Lá em casa somos muitos, mas só metade está trabalhando. Não posso ficar parada”, afirmou.

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