Mania de Bolota


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Um cenário simples composto por um trailer, mesas e cadeiras faz parte do cotidiano dos francanos há, pelo menos, 25 anos. Apelidados de “bolotas”, esses locais atraem centenas de jovens que querem bater papo com os amigos, paquerar, namorar ou simplesmente matar a fome. Hoje, os lanches rápidos ao ar livre estão ameaçados de extinção, mas ganham coro para ficar daqueles que são fissurados nesses ambientes. Uma lei aprovada pela Câmara Municipal no dia 3 de março, de autoria do Poder Executivo, limita a quantidade de bolotas na cidade - em torno de 45 - e proíbe a utilização de mesas e cadeiras. Ou seja, quem quiser comer o lanche terá de ficar no carro ou levá-lo para casa. A maneira como funciona hoje é válida somente até o dia 1º de abril. Após essa data, entram em vigor as novas regras. A "salvaguarda" pode surgir do Legislativo. A Câmara criou uma comissão para estudar a lei municipal 5.100 que autoriza os ambulantes - camelôs - a ocuparem as Praças 9 de Julho e do Itaú. Os vereadores querem alterar a redação da lei e permitir que todos os bolotas existentes na cidade permaneçam como estão. Não há prazo para que a matéria entre em votação. Enquanto isso, os jovens fazem torcida para que a cidade mantenha a tradição dos trailers. A estudante Aline Rodrigues, 22, e o personal trainer Marlon Bueno, 24, estão entre eles. O casal se conheceu em um bolota da Avenida Abrão Brickman há um ano. Há dez meses engatilharam um namoro. Hoje continuam frequentando o mesmo lugar aos fins de semana. "Geralmente no domingo não há muito o que se fazer. A gente vem para cá, revê os amigos, come um lanche que não é tão caro e fica feliz. Enfim, um bom programa para aliviar o estresse do dia-a-dia", disse Marlon. <img src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/03/se-liga-bolotas.jpg" alt="se-liga-bolotas" title="se-liga-bolotas" width="300" height="205" class="aligncenter size-full wp-image-2305" /> <i>Os namorados Fernando Santana e Mariana Campos são frequentadores assíduos de Bolotas. "É gostoso e você encontra a qualquer hora", disse ela.</i> O fato de poder curtir a noite ao ar livre sem gastar muito é o principal atrativo dos bolotas na cidade. Em que pese a grande maioria não ter banheiros (uma das novas exigências para seu funcionamento), a clientela jovem não se importa. Isso não significa que não fiscalizem a higiene do lugar. A secretária Isilda Ferreira, 23, e seu namorado, o vendedor Darlan Alencar, 28, garantem estar atentos ao que consomem. No domingo à noite foram flagrados pela reportagem em um trailer da Avenida Integração. Ela justificou a escolha. "Eles usam luva, touca, o material é limpo. Podemos comer sem medo". <b>QUANTOS?</b> Não é possível dimensionar quantos são e onde estão os trailers de lanche em Franca, mas basta dar uma volta de carro à noite e começar a contar. Apenas nas avenidas Integração, Chico Júlio, José da Silva e Abrão Brickmann são quase 20. Para os moradores no Leporace e bairros adjacentes, frequentar bolotas é quase uma tradição. Lá a concorrência mora ao lado e, por incrível que pareça, parece não atrapalhar. Lado a lado, os trailers estão sempre lotados. Situação parecida acontece na Avenida Integração, onde quatro trailers estacionam a menos de cem metros um do outro todas as noites. E mais, todos têm sua clientela formada. "É uma pena as autoridades quererem tirar as poucas diversões que temos. É inofensivo ficar em um lugar destes. Nós, jovens, só queremos curtir um ambiente onde vamos nos divertir sem gastar muito", finaliza a massoterapeuta Kelly Cristina, 23. <strong>Veja o quadro abaixo e entenda a polêmica:</strong> <a target="_blank" href="http://gcncomunica.files.wordpress.com/2009/03/se-liga-bolotas1.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-2306" title="se-liga-bolotas1" src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/03/se-liga-bolotas1.jpg?w=50" alt="se-liga-bolotas1" width="50" height="300" /></a> <em>*Clique na imagem para ampliar.</em>

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