Demissões na Tenny Wee chegam a 150


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Após dar aviso prévio a 70 funcionários e férias a 150 nos últimos dias, a Calçados Tenny Wee repetirá a medida a partir da próxima semana. Outros 80 empregados da empresa assinarão o aviso e mais 150 entrarão em férias. As demissões começam a ser concretizadas a partir do dia 25 de março - data de vencimento dos primeiros avisos. Os desligamentos, se concretizados, representarão 15% do total de empregados da fábrica. A diretoria da Tenny Wee alega ter estoques suficientes para atender o mercado por até 45 dias. O acúmulo de produtos, aliado à redução nas vendas, tornou a situação insustentável. "Estávamos produzindo, mesmo sem ter pedidos, para não ter de mandar ninguém embora. Agora, para salvaguardar o negócio, temos que deixar os estoques voltarem aos níveis normais", disse Alexandre Ferreira, proprietário da empresa, em entrevista ao Comércio na semana passada. O fato de dar o aviso prévio não significa, necessariamente, que as demissões serão efetivadas. Caso o mercado volte a comprar, os postos de trabalho poderão ser mantidos. "Neste momento essa possibilidade é remota. Mas, se melhorar, vamos manter esses funcionários", disse Alexandre. No final de 2008 a fábrica chegou a empregar 1,5 mil pessoas e produzir 5,8 mil pares de calçados por dia. Hoje ela conta com mil funcionários - incluindo os que estão em férias - e uma produção diária de 3,9 mil pares. MAIS ACORDOS Medidas de enxugamento de despesas em decorrência da crise não são exclusividade da Tenny Wee. A exemplo do que vem acontecendo em todo o País, as indústrias da cidade tentam "driblar" a situação por meio de demissões ou acordos de redução da jornada de trabalho. No início do mês, a Carmen Steffens - fabricante de sapatos femininos - ameaçou demitir 300 funcionários. Só não o fez porque os empregados concordaram em implantar o sistema de banco de horas à revelia do Sindicato dos Sapateiros, contrário à iniciativa. A entidade se recusou a assinar o acordo - condição legal obrigatória - e a empresa assumiu o risco de ter de responder a futuras reclamações na Justiça do Trabalho. Desde segunda-feira, os empregados da Carmen Steffens cumprem jornada reduzida. Eles trabalham de segunda a quarta-feira, das 6h45 às 17h33, com intervalo de uma hora para almoço. Folgam às quintas e sextas-feiras, além do fim de semana. A rotina só deve voltar ao normal em meados de maio. METALÚRGICAS A recessão no mercado não atingiu apenas as indústrias calçadistas. Pelo menos três metalúrgicas de médio porte de Franca negociam a redução da jornada de trabalho dos funcionários. Uma delas efetivou acordo no mês de fevereiro e reduziu quatro dias de trabalho por mês e poderá ter de repeti-lo nos próximos meses. Nesta semana, o Sindicato dos Metalúrgicos deverá formalizar acordos semelhantes com outras duas. Élder Souza Gomes, presidente da entidade, disse que negociações deste tipo evitam que haja demissões e dão fôlego às empresas para manter os negócios. As indústrias que planejam a redução da jornada fabricam máquinas para calçados e peças para automóveis. O sindicalista preferiu não revelar os nomes, mas garantiu que as negociações estão em andamento.

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