Com relação à teoria evolucionista apresentada por Charles Darwin, em 1859, com o livro Da Origem das Espécies, alguém poderia contra-argumentar, dizendo: “Mas, o homem não é a imagem e semelhança de Deus, conforme está no cap.1, vers. 26 do Gênesis da Bíblia?”.
Realmente o texto bíblico fala em semelhança com Deus. Pode-se deduzir daí, que o criacionismo é que está certo, porquanto “Deus fez o homem”. No entanto, se voltarmos ao texto bíblico, especialmente em João, 4:24, encontraremos Jesus dizendo textualmente que “Deus é espírito” e como tal deve ser adorado. Se Deus é espírito, segundo Jesus, a imagem e semelhança citada em Gênesis, 1:26, forçosamente, é em espírito.
Sem querer entrar em qualquer interpretação exegética, para nós espíritas, antes de tudo, o ser humano é um espírito em trânsito pela matéria. Não somos corpos. Somos espíritos. E espírito é a essência criada por Deus à sua imagem e semelhança. Estamos provisoriamente revestidos de carne. Assim é que admitimos o evolucionismo porque consideramos tudo obra de Deus, que tudo criou com um fim útil e, necessariamente, interligado. Para a Doutrina Espírita que veio esclarecer a Palingenesia, isto é, a Reencarnação, em todos os reinos da natureza há a essência espiritual, começando pelo mineral, passando pelo vegetal, continuando no animal e chegando ao hominal.
Por isso, o filósofo Léon Denis afirmou: “A alma dorme na pedra, move-se no vegetal, sonha no animal e desperta no homem.” Isto quer dizer que tudo se encadeia na natureza, sem solução de continuidade. E as próprias reencarnações no reino hominal são degraus que vamos subindo paulatinamente no nosso retorno ao Criador. Etapas de subida onde somos mais responsáveis já que estamos utilizando o “sagrado e perigoso dom do livre-arbítrio”, no dizer de Emmanuel. Segundo a visão do Espiritismo, a evolução é Lei de Deus e se faz através das formas. Devemos considerar, ainda, que no evolucionismo de Darwin, a evolução se faz pela influência do meio que exige que o mais apto se adapte às circunstâncias da vida.
O Espiritismo, ao aceitar a evolução proposta pelo sábio Inglês vem acrescentar um novo fator ao “continuum” evolutivo: fator espiritual. Para nós a evolução se faz na Terra por influência do espírito que precisa evoluir. Isto é, ao lado dos fatores ambientais e da aptidão há implicações espirituais tomadas antes do surgimento da nova vida.
Neste sentido, a obra de André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, trouxe inúmeros esclarecimentos, mostrando providências de diversos departamentos situados no mundo espiritual, visando a melhoria da vida no planeta e objetivando o progresso das formas. Vale a pena citar o livro Evolução em Dois Mundos, verdadeiro tratado sobre o assunto e que é necessário estudar com afinco para melhor entender a proposta desse autor espiritual.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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