Queda dos Juros


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Precisamos ter a frieza necessária para não politizar uma questão que é, essencialmente, financeira e internacional: a queda nas atividades produtivas no Brasil. O corte na taxa básica de juros realizada nessa última quarta-feira pelo Copom (Comitê de Política Monetária) é sintomático no que diz respeito à gravidade da situação econômica brasileira. Na verdade, sabia-se que, mais cedo ou mais tarde, sofreríamos os efeitos da crise mundial. Pois, por mais que os fundamentos da política econômica nacional estejam corretos e por mais otimismo que o governo federal transmita para a nação (e em um primeiro momento é esse o papel do governante), vivemos uma economia globalizada onde mercado interno é tremendamente afetado pelo Comércio Externo. Empresas que exportam geram divisas para a economia nacional que, por sua vez, transformam-se em empregos, geração de renda e consumo e investimentos internos, numa cadeia virtuosa de desenvolvimento e crescimento. Quando isso acontece, as importações fluem livremente, dando a oportunidade para o consumidor brasileiro ter opções, seja de preço, produto ou qualidade. Acontece que o Brasil é um grande exportador de commodities, tanto agrícolas quanto minerais e a cadeia produtiva que está por trás dessas exportações é enorme, geradora de muitos empregos e quando a ponta final (exportações) deixa de acontecer ou reduz o seu ritmo, provoca no sentido contrário, um desaquecimento produtivo e um enorme desemprego por todo o País. Ao contrário do que alguns “políticos”querem agora afirmar, não considero que o governo federal ficou passivo frente à crise. Aliás, o governo estadual paulista também teve posições contundentes na tentativa de prevenir efeitos mais drásticos. Os diversos programas de investimentos em obras públicas e financiamento de bens de consumo e habitação, já apresentados e em andamento pelo governo federal, mostram que sempre houve uma preocupação quanto aos efeitos da crise. A meu ver, a passividade aconteceu exatamente na redução da taxa de juros. Independente da crise internacional sempre se afirmou que os juros altos são prejudiciais ao nosso desenvolvimento econômico e social. Uma política conservadora e marcada pelo estigma da inflação manteve os juros em patamar inigualável no mundo, ao longo de todos esses anos. Sabemos que as exportações (indicador saudável), os investimentos de longo prazo (indicador de confiança no País) e a especulação financeira internacional no Brasil (indicador de juro alto e ganho fácil) contribuíram para uma valorização do real durante os últimos anos, mas, sem sombra de dúvida, a especulação financeira é a única dentre esses fatores que provoca danos para a nação. A especulação financeira não gera riquezas. Ao contrário, leva embora a nossa riqueza em forma de remuneração desse capital especulativo. Portanto, nesse momento de agravamento dos efeitos da crise no Brasil é importante que os governos (federal e estadual) intensifiquem os investimentos em obras públicas, em financiamento de programas e de consumo, reestruturem seus gastos para que haja sobras para esses investimentos e pressionem, repercutindo o desejo social do País, para que os juros continuem a cair. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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