Pelo menos três empresas metalúrgicas de médio porte de Franca fecharam ou estão negociando acordos com o sindicato dos empregados do setor para a redução da jornada de trabalho. Como não existe sazonalidade (demissões tradicionalmente feitas em alguma época do ano) no segmento - como ocorre com as fábricas de calçados - representantes sindicais reconheceram que as propostas refletem a crise financeira e, preocupados em manter empregos, decidiram concordar com a flexibilização.
O primeiro acordo foi fechado em fevereiro com uma indústria de estruturas metálicas instalada no Distrito Industrial. A empresa reduziu quatro dias úteis no mês de 80 funcionários. Eles não trabalharam nas sextas-feiras 6 e 13 e nos dias 23 e 24 - feriado de Carnaval, o que totalizou 33 horas parados. O ônus das horas não trabalhadas foi dividido entre patrão e empregados. “A empresa descontou apenas 50% dos dias parados nos salários dos trabalhadores, ou seja, dois dias”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Élder de Souza Gomes.
Temendo reflexo negativo junto aos clientes e fornecedores, o diretor da empresa pediu anonimato, mas afirmou que a medida foi necessária porque a produção caiu, segundo ele, 60% nos dois primeiros meses do ano em comparação ao mesmo período do ano passado. “A última coisa que os clientes pensam em momento de crise é comprar”, disse, justificando a queda.
O acordo poderia ter sido prorrogado neste mês, mas a redução de fevereiro garantiu trabalho para a empresa fechar o mês de março sem “buracos” na produção. “Estamos conseguindo manter o pouco de serviço que tem no mercado. A gente está se equilibrando”, disse o diretor. O mês de abril para a empresa, no entanto, ainda é uma incógnita e não há garantias que novos acordos sejam propostos.
Na tentativa de manter os empregos, duas metalúrgicas - uma do ramo de peças para automóveis e outra de máquina para calçados - deverão propor flexibilização de jornada de empregados junto ao sindicato. Élder Gomes não revelou o nome das fábricas a pedido dos proprietários, mas afirmou que, caso os acordos sejam concretizados, pelo menos cem empregos serão preservados. “Estamos apenas aguardando as empresas formalizarem o pedido de acordo na próxima semana”.
O Comércio tentou contato com as empresas. Uma delas revelou que a ideia da redução de jornada e salários é uma possibilidade que “está sendo amadurecida”. Na outra, o diretor não foi encontrado.
Segundo Élder, uma medida provisória de 2001 prevê a redução da jornada e de salários em até 25%. Exceção feita aos trabalhadores que recebem o piso da categoria e não podem participar dos acordos, já que pela lei trabalhista nenhum funcionário pode receber abaixo do piso.
Para formalizar e autorizar os acordos, o sindicato ouve funcionários e diretores e analisa a situação financeira da empresa nos últimos doze meses (leia mais em texto de apoio).
NÚMEROS DO SETOR
O setor de metalurgia em Franca e região emprega cerca de 1,5 mil trabalhadores em 200 empresas. Elas são responsáveis por produzir peças para máquinas agrícolas e para calçados, automóveis, navalhas de corte, entre outros. O salário mínimo pago aos trabalhadores do setor é de R$ 696.
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