Tucanos com mais de 50 anos e alto grau de instrução. Esse é o perfil dos políticos que estão no comando da maioria das cidades da região. No currículo pelo menos uma faculdade e cerca de 20 anos de militância. As características foram apontadas em levantamento realizado a partir de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pela ONG Transparência Brasil a pedido do Comércio e destoam das registradas no resto do País.
Enquanto 70% dos prefeitos da região têm curso superior, a média nacional é de apenas 44%. E ao contrário do resto do Brasil, onde mais da metade dos chefes de Executivo (54%) tem menos de 45 anos, na região há apenas um. O partido com maior representatividade regional é o PSDB, que está à frente de cinco municípios, seguido pelo PT em quatro e PMDB em dois. PTB e PSC têm uma prefeitura cada um.
Para especialistas, a idade dos políticos pode ter tornado a região mais conservadora e refletir na falta de novas lideranças.
O professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito de Franca, Fábio Cantizani Gomes, considera que a ausência de jovens líderes pode trazer sérias consequências no futuro. “Em Franca, por exemplo, isso ficou evidente nas últimas eleições quando a gente sofreu com a falta de opções por não haver renovação política. Isso causa uma certa preocupação. A média de idade mais avançada lembra um perfil político atrasado, de lideranças antigas que a gente vê em Brasília também e que talvez tenha suas raízes lá no coronelismo”, disse.
E é justamente em Franca que se encontra o chefe do Executivo que mais se encaixa nas características regionais traçadas pela ONG. O tucano Sidnei Rocha tem 65 anos, é empresário com formação superior em Direito e Ciências Sociais e está em seu terceiro mandato.
Rocha rechaça com veemência as afirmações do professor. “Eu tenho experiência para administrar com tranquilidade uma máquina do tamanho da Prefeitura de Franca. Algo que alguém novo não conhece. Hoje a administração pública é muito complexa. Precisa-se conhecer, caso contrário começa a fazer bobagens, se endividar. Agora, a liderança você não fabrica. Ela surge dentro da própria comunidade”, disse ele.
No geral, as opiniões dos políticos também coincidem quando o assunto é grau de instrução. “Para comandar uma cidade, é preciso um mínimo de escolaridade. Pelo menos o ensino médio como eu”, disse Hugo Lourenço (PMDB) de Rifaina. Já para o professor Cantizani a instrução é importante, mas não é tudo. “Não é um fator determinante de boas gestões e, principalmente, honestas”, disse ele.
Em segundo lugar na preferência dos eleitores da região e no comando de quatro cidades estão os prefeitos do Partido dos Trabalhadores. Coincidentemente, o PT concentra as características fora do padrão regional (leia mais no texto ao lado). São do partido o prefeito mais novo, Ismael Silva Cândido, de Ibiraci (MG); o de menor formação acadêmica, Luiz da Cunha Sobrinho, de Ribeirão Corrente (SP); e a única mulher, Ana Maria Caris, de Cássia (MG). “O que diferencia o partido é sua formação a partir de bases populares. Acho que por isso ele oferece oportunidade de participação e formação para pessoas que talvez não tivessem espaço em um partido mais conservador”, disse Caris.
Foram pesquisados 13 municípios, dez no Estado de São Paulo - Rifaina, Pedregulho, Cristais Paulista, Itirapuã, Patrocínio Paulista, Restinga, Batatais, São José da Bela Vista, Ribeirão Corrente e Franca - e três no Estado de Minas Gerais - Ibiraci, Claraval e Cássia.
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