Não é novidade que a violência anda comendo em Franca, mas é de ficar estarrecido quando - diante da falência do aparato da segurança pública - a gente passa a ter saudade dos bandidos de antigamente, talvez porque eram menos ousados e respeitavam algumas linhas imaginárias.
Nos bons tempos de minha infância, a maior vergonha do mundo era ser ladrão de galinha, o último dos estigmas, a pena de morte social, o fim da picada. Não havia internet, mas todo mundo sabia quem era o ladrão de galinha pela rede global do boca a boca, do disse-me-disse. Era tão eficaz e eficiente essa comunicação pré-eletrônica que até o ladrão de galinha tinha vergonha de ser ladrão de galinha. Lembro-me que vez ou outra, lá na casa da vovó, sumiam alguns pertences do quintal, que na Franca de hoje, são apenas lembranças. Foi assim que me familiarizei com o termo tão conhecido, que passou socialmente a significar pequenos furtos: os ladrões de galinhas!
Coitadas das galinhas! Sumiam quase sem cacarejarem. Apenas suas penas eram encontradas espalhadas pelo galinheiro. Naquela época, ladrão não roubava padre, hoje - se brincar - leva tudo que tem na Igreja e ainda risca na batina do infeliz: “Pivete Piolim esteve aqui!”.
Infelizmente os tempos mudaram, o ladrão de galinhas já nos soa puro folclore. Romantismo de uma época em que as janelas dormiam abertas para receber o luar e as estrelas. Em seu lugar surgiram espécies selvagens, sorrateiros ladrões de vidas, que nos roubam sonhos e esperanças. Verdade que não é só em Franca que viceja a insegurança, ela está em todos os lugares do nosso querido Brasil. Mas eu resido aqui, por isso, a preocupação é com minha cidade e seu povo.
O assalto à mão armada é um caso de polícia e deve ser enfrentado com urgência urgentíssima. Isso sem falar nos furtos em residências e estabelecimentos comerciais, que já ultrapassam a níveis toleráveis. Comerciantes são obrigados a investir na segurança de seu patrimônio, colocando grades e alarmes. Carros são furtados todos os dias. Seis foram levados só nessa semana. A violência e a criminalidade não fecharam apenas as janelas das casas do povo. Este que também se fechou em casa, vive atrás de grades de onde espreita se algum dos maus está se aproximando. Está encurralado. Mal sai de suas trincheiras.
Não quero fazer um tratado sociológico sobre as causas da violência. Apenas, ressaltar a indignação que se pode ver externada em quase todas as pessoas dessa cidade. É preciso uma resposta enérgica e urgente. Caso contrário, chegará o dia em que acharemos normal até as frases históricas do bestial político: “estupra, mas não mata”, por exemplo.
Inúmeros furtos e assaltos são contabilizados todos os dias em Franca. E somos obrigados a ouvir de nossas autoridades policiais que esses números são normais. Não! Definitivamente, estes números não são normais. Nem aqui em Franca, nem em qualquer outra cidade do interior. Não é normal! Querem o quê? Fazer com que a gente não fique mais indignado e passe a achar normal, como faz um amigo meu, que sai de casa com uma parte do dinheiro escondida no bolso e outra na meia?
Segundo ele, o dinheiro que vai no bolso é do ladrão caso ele apareça para pegar o que lhe pertence. O outro, guardado na meia, é para ele tentar depositar na poupança. Tenho a impressão que esse meu assustado amigo só não carrega dinheiro na cueca com medo de uma CPI. É isto que tem que ser normal? O preço por se estar em uma grande cidade? É um contexto como este, em que morre a indignação, que nasce vários males sociais que vão sendo justificados pela ausência do poder público. Entre estes males, os justiceiros de bairro; a justiça com as próprias mãos, a banalização da violência, do crime e consequentemente a oficialização da barbárie.
FRASE DA SEMANA
Ladrão rico é festejado pela sociedade, favorecido pela Justiça, ignorado pela polícia e aplaudido pela mídia inconsequente.
SANTA BÁRBARA!
Algumas bobagens ditas na cobertura da imprensa no segundo jogo de Ronaldo. Hora do gol: “é uma cabeça de ouro”. Mais ainda: “Foi um salto de menino. E menino magrinho”. Após o gol: “Deus existe!”’. Depois da aplicação do cartão: “o juiz quer aparecer, ser a vedete do espetáculo”. Outra boa: “Ronaldo é intocável e impunível”. Ouvisse isso, vovó diria: “Santa Bárbara!”
NEGATIVO
Nessa época do ano, com muita chuva, a CPFL faz o trabalho de poda de galhos de árvores para evitar transtornos na rede elétrica. Até aí tudo bem. Ruim são os galhos jogados nas ruas, como acontece há uma semana na Coronel Tamarindo, em frente a Samello. Conversei por telefone com o engenheiro Luiz Carlos, da CPFL, e ele me garantiu que a Prefeitura é a responsável pela retirada dos galhos de árvores das ruas. Então?
POSITIVO
Dia desses um amigo reclamou do problema da falta de troco em ônibus circulares de Franca. Lembrei-me de uma medida tomada por Jânio Quadros, da última vez que foi prefeito de São Paulo. Usuários de ônibus da capital reclamavam muito sobre esse problema. Sem demora, Jânio baixou uma portaria, determinando que à falta do troco, o passageiro passaria na borboleta sem pagar. Como num passe de mágica, nunca mais faltou dinheiro miúdo. Seria uma medida positiva caso viesse a ser adotada por aqui, não?
EM BUSCA DA FELICIDADE
O homem estava sendo julgado por assalto e ouviu do juiz a seguinte pergunta: “Quer dizer que depois de sair da casa da vítima levando mais de 20 mil reais o senhor voltou para buscar as jóias e as obras de arte da família?”. Disse o réu:
- Foi quando me lembrei excelência. Só dinheiro não traz a felicidade...
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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