O Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçado de Franca) suspendeu, ontem à tarde, durante entrevista coletiva em sua sede, as negociações de reajuste salarial do setor com o Sindicato dos Sapateiros. A entidade classificou a diretoria da outra parte como "intransigente" por não querer negociar a implantação de um banco de horas para a categoria.
O sindicato dos empregados, por sua vez, classificou a atitude do sindicato patronal como "estranha" e reafirmou que a possibilidade de discutir o assunto está descartada. Também não há entendimento quanto ao aumento salarial. Mantidas as posições, a discussão poderá ser levada à Justiça.
José Carlos Brigagão, presidente do Sindifranca, afirmou que os trabalhadores em nada seriam prejudicados com a criação do banco de horas. Pelo contrário, garantiu que a implantação traria tranquilidade a eles e às fábricas para enfrentar o período de crise. "Colocamos a necessidade de se implantar o banco de horas, a exemplo de Birigui e Sapiranga, outros pólos calçadistas. Tem uma série de vantagens, como a preservação dos empregos (...). Para preservar o emprego, precisamos preservar as indústrias", disse.
Duas situações recentes dão força à fala de Brigagão. No último dia 5, a Carmen Steffens disse que seria obrigada a demitir 300 funcionários se o Sindicato dos Sapateiros não aceitasse negociar a implantação do banco de horas. Os desligamentos não ocorreram, pois a empresa, à revelia do sindicato, decidiu fechar acordos individuais com os empregados.
<b>Ouça aqui a declaração completa de José Carlos Brigadão:</b>
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Apenas quatro dias depois, a Tenny Wee não teve tempo sequer para pensar em acordos. Na última segunda-feira, deu aviso prévio a 70 funcionários e anunciou que outros 80 devem ter o mesmo destino.
Brigagão disse que não há mais diálogo se a postura do sindicato não for revista. Segundo ele, o índice de reajuste oferecido aos empregados - de 6,5%, ante os 16,75% pedidos pelo outro sindicato - será mantido com a suspensão das negociações. "Nossa proposta está colocada. Eles decidem em assembleia se aceitam. Se não aceitarem não terá acordo", disse Brigagão.
Mesmo diante da pressão do Sindifranca e das possíveis demissões, o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, descartou a discussão sobre banco de horas. Para ele, o assunto fugiria do foco do momento, que é a questão salarial. "Já abrimos mão de tudo que é possível para fechar um acordo. Agora, no apagar das luzes das negociações, insistem com um mecanismo que não funciona. Quem está sendo inflexível?", disse, ontem à noite, Ribeiro.
<b>Ouça aqui a declaração completa de Paulo Afonso:</b>
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Em seguida, o sindicalista afirmou que a negociação salarial, de sua parte, não será paralisada. "Estamos abertos à conversa (...). Mas não seremos pautados pelos empresários, nem pela imprensa e nem por qualquer outra organização. Seremos pautados pelos trabalhadores", disse.
<b>NA JUSTIÇA</b>
Se não houver acordo entre os sindicatos, a discussão salarial dos sapateiros poderá culminar, basicamente, em duas situações: na deflagração de uma greve ou no encaminhamento do caso à Justiça. Questionadas sobre as possibilidades, as duas partes se esquivaram. "Acreditamos na negociação. Não que descartemos ir à Justiça, mas esta seria nossa última opção", disse Paulo Afonso Ribeiro. Discurso de tom semelhante ao do advogado do Sindifranca, Mauro Bassi. "O Sindicato da Indústria não quer que isso (a negociação) vá parar nas barras de uma arbitragem ou de um tribunal", afirmou.
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