Mesmo com economia concentrada basicamente numa única fonte de renda, o calçado, Franca tem avançado quando o assunto é a área social. Um estudo divulgado nesta semana mostra que a cidade, embora ainda seja considerada pobre, melhorou nos três indicadores que compõem o IPRS (Índice Paulista de Responsabilidade Social). O levantamento é feito pela Assembléia Legislativa de São Paulo e a Fundação Seade e analisa os itens riqueza, longevidade e educação. Os resultados tomaram como base dados de 2006.
O indicador com maior destaque foi a educação. A cidade avançou mais de 200 posições neste ranking graças ao aumento da porcentagem de jovens que concluíram os níveis fundamental e médio. O crescimento na taxa de atendimento à pré-escola entre crianças de 5 a 6 anos também contribuiu. Em educação, a média de pontos da cidade saltou de 47 em 2004 para 65 em 2006, resultado semelhante à média do Estado. O índice varia de zero a cem.
Para a gerente de Serviços da Supervisão Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Maria Lúcia Maia Cardoso, os constantes investimentos na formação de professores, a criação de conselhos de escolas, a maior participação dos pais, o trabalho na prevenção da evasão e a ampliação no número de vagas contribuíram para o resultado satisfatório. “Desde 2005 já construímos 17 creches e a intenção é construir mais 16, traçamos projetos em cima das defasagens. A nossa missão é a permanência e o sucesso do aluno na escola”.
No ranking de longevidade, que avaliou fatores como taxas de mortalidade infantil e de pessoas com 60 anos ou mais, a cidade também apresentou crescimento. Em 2004, a expectativa de vida era de 71 anos, dois anos depois, passou para 74. “Temos investido mais em programas sociais para melhorar a qualidade de vida da população, especialmente a mais idosa e carente”, disse o secretário de Ação Social, Roberto Rocha.
Com a boa classificação nos dois indicadores, Franca passou a se enquadrar num novo grupo de cidades, o Grupo 3, que agrega municípios com indicadores considerados médios (baixo nível de riqueza, mas bons indicadores de longevidade e escolaridade). A pesquisa separa as cidades em cinco grupos, sendo o Grupo 1 o melhor.
Anteriormente, Franca estava no Grupo 4. “Pelo índice, podemos afirmar que Franca é uma cidade pobre, em razão de ter uma atividade econômica concentrada no calçado, produto de baixo valor agregado, mas oferece boa qualidade de vida. A cidade tem equipamentos sociais que ajudam no aumento da longevidade e ações eficazes na educação”, disse o economista Hélio Braga Filho.
<b>EXEMPLO</b>
A dona de casa Luiza Peres Vieira, 63, moradora no Parque Progresso, voltou à escola depois de 47 anos. A decisão ocorreu há quatro anos, quando ficou viúva. “Estava me sentindo desmotivada, a escola me deu mais força de vontade e segurança, além disso fiz várias amigas. Foi uma terapia”. Luiza concluiu a 4ª série do ensino fundamental no ano passado.
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