Perigo imediato


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Em fevereiro de 2009, durante o Carnaval, apareceu um cometa chamado Lulin, piadas à parte, não é uma possível homenagem a um brasileiro ilustre. Este cometa viaja em sentido oposto ao da órbita da Terra e demorará alguns milhões de anos para retornar novamente, bem diferente do já conhecido cometa Halley, que vem nos visitar a cada 76 anos. O Lulin não se aproximou muito de nosso planeta, ficando a 60 milhões de quilômetros, menos de metade da distância entre a Terra e o Sol. Este acontecimento, diria, até comum, merece um pouco de nossa atenção. Cometas como o Halley vêm do cinturão de Kuiper, próximo ao planeta-anão Plutão. Cometas, de período bem mais longo, como o Lulin, vêm da Nuvem de Oort, localizada a 50 mil vezes a distância entre a Terra e o Sol. Os cientistas estudam os cometas porque acreditam que a composição deles seja semelhante à de corpos que formaram os planetas. Em dezembro de 2000, um asteróide, uma rocha de 50 metros, passou sobre Londres a mais de 30 quilômetros por segundo, bem perto da Terra, cerca de 770 mil quilômetros ou quase o dobro da distância entre a Lua e a Terra. Se tivesse se chocado com a Terra, abriria uma cratera de mais de um quilômetro de comprimento, suficiente para destruir uma cidade grande. O asteróide, que recebeu o nome 2000YA, só foi detectado quando já estava sobre a Terra. Em junho de 2002, astrônomos descobriram que um asteróide do tamanho de um campo de futebol passara a uma distância de 120 mil quilômetros, menos da metade da distância entre a Terra e a Lua. Ele só foi detectado três dias depois. Denominado 2002MN, este asteróide viajava a uma velocidade de dez quilômetros por segundo e tinha um diâmetro entre 50 e 120 metros. Se tivesse se chocado, causaria uma destruição semelhante à ocorrida em Tunguska, na Sibéria, em 1908, que destruiu 2 mil quilômetros quadrados de bosques, um poder destrutivo avaliado em cerca de 20 megatons. Já em julho de 2002, outro asteróide, o 2002NT7, ocupou as manchetes dos jornais, ameaçando chocar-se com a Terra em 2019. Este asteróide tem 2 km de diâmetro ou um quinto do tamanho do meteoro que destruiu a Terra e os dinossauros há 65 milhões de anos. Eventos como Tunguska acontecem com frequência. Há quem acredite que Sodoma e Gomorra foram vítimas de algum asteróide ou cometa. Por isso os cientistas acreditam que se deva monitorar esses corpos celestes. Os Estados Unidos monitoraram apenas objetos com mais de um quilômetro de diâmetro mas do Hemisfério Norte. Parlamentares ingleses indicaram ao governo tomar providências. Eles também querem que o mundo tenha um projeto comum e desenvolver uma tecnologia, nos próximos dez anos, para permitir que centros de observação possam localizar e acompanhar asteróides perigosos para a Terra. Isso nos leva a uma questão existencial, até quando nos comportaremos como os dinossauros esperando os favores do céu? Mario Eugenio Saturno Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva

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