A Polícia Civil de Franca deve abrir inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de Josiene Elias Lopes, 9, no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa local, na madrugada de ontem. A família da criança, que decidiu adiar o enterro para realização de necropsia, acusa a equipe médica que a atendeu de erro clínico e descaso no tratamento dispensado. Ninguém do hospital se pronunciou.
Segundo o pai, Edson Flausino Lopes, 29, a garota começou a passar mal, com severa falta de ar, na noite de sábado. Morador na zona rural, Lopes deixou o sítio Três Irmãos, entre Franca e Ribeirão Corrente, para trazer Josiene até o plantão do Pronto-Socorro “Doutor Janjão”.
Ainda de acordo com o pai, a menina teria sido atendida por um médico que constatou a gravidade de seu estado, pedindo a transferência imediata para a Santa Casa.
No hospital, onde deu entrada antes da 1 hora de domingo, Josiene teria sido atendida por um primeiro médico, cujo diagnóstico apontado foi desnutrição ou princípio de anorexia, mesmo resultado revelado por outro profissional, domingo pela manhã.
O pai e a tia da criança, Cleide Flausino Lopes, afirmam que nesse momento Josiene começou a receber soro aplicado no braço. Nenhum dos dois soube dizer o nome do medicamento prescrito.
Na segunda-feira, conforme afirmou a tia da garota, ela teria chegado à Santa Casa às 9h44 para fazer companhia para a sobrinha. No quarto, junto com Josiene, estava internada a sapateira Jovercina Silva Borges, 22.
Cleide Flausino conta que funcionários da Santa Casa tiraram duas chapas de raio-X do tórax de Josiene em um curto intervalo de tempo. Os exames teriam sido feitos no próprio quarto para evitar o deslocamento da criança.
Mais tarde, em versão contada pela tia e reforçada por Jovercina, uma médica teria dito que não havia constatado nada de anormal com os pulmões da menina. O passo seguinte foi fazer um exame de sangue quando, então, teriam constatado a existência de diabetes em nível alto.
“A médica disse que ela estava com 340 de diabetes. Aí entraram em desespero”, contou a tia. O procedimento seguinte teria sido feito para tentar baixar a glicose, com a aplicação de outro tipo de soro, desta vez no pescoço.
Às 13 horas Josiene teve a primeira parada cardíaca. Em seguida vieram outras cinco. Às 3 horas da manhã de ontem a menina, que completaria 10 anos no dia 19, morreu. No atestado de óbito assinado pelo médico Carlos Reis Jacometi constam choque refratário, edema agudo do pulmão e insuficiência renal aguda como causas da morte.
“Como podem falar tanta coisa assim? Minha filha estava bem e de repente morre. Nenhum médico pediu qualquer exame. Se na chapa do pulmão não apareceu nada, como pode ter morrido de edema pulmonar?”, questionou Edson Lopes.
Ele não soube informar os nomes dos médicos que atenderam sua filha nem quais medicamentos foram aplicados. Tampouco viu o prontuário de atendimento na Santa Casa, assim como a constatação do diabetes teria sido feito verbalmente.
“De documento só tenho o atestado de óbito; mais nada. Não me deram nenhum papel. Só vieram dizer que minha filha tinha morrido”, disse ele. Até mesmo a comunicação da morte de Josiene teria sido feita por uma funcionária da Santa Casa. “Nenhum médico veio falar comigo. Para mim, está tudo errado”.
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