Ela faz parte da rotina da maioria das pessoas e embora alguns pensem o contrário, a matemática veio para facilitar nosso dia-a-dia. Em pequenas ações como calcular despesas, medir, pesar objetos ou alimentos, analisar dados, estatísticas, não importa - a disciplina está sempre presente no cotidiano de todos. Mas quando se trata de profissionalização, o curso é temido por muitos e apreciado por poucos. Os que defendem a carreira dizem que o mercado é promissor. Mas o baixo interesse e o preconceito pela profissão considerada "difícil" têm deixado escolas e faculdades à procura de interessados.
Se tornar um matemático hoje em dia não é fácil. O pouco interesse dos alunos no ensino superior oferecido na região tem refletido no fechamento do curso nas universidades. Nem o piso salarial do profissional atrai os candidatos. Dependendo da instituição e do número de horas/aula dadas, o ganho mensal pode variar de R$ 1,5 mil (na rede pública) e de em média R$ 7 mil reais (nas escolas particulares e cursinhos).
Neste ano o Centro Universitário Claretiano de Batatais e a Faculdade Barão de Mauá em Ribeirão Preto não conseguiram abrir turmas. Em Batatais no curso de matemática com 60 vagas, duração de três anos e mensalidades a partir de R$ 344, nem metade das vagas oferecidas foi disputada. No ano passado não foi diferente. Em nova tentativa, nos próximos processos seletivos, as duas universidades disponibilizarão mais 120 novas vagas.
Sem estudantes, faltam também professores. Na rede pública de ensino atualmente há 295 professores lecionando em 68 escolas para 50.176 alunos. Os novos candidatos à profissão, além de serem insuficientes não têm experiência em sala de aula.
"Muitos dominam o conteúdo, mas não sabem lidar com a prática ou com o convívio com os estudantes e se deparam com uma realidade diferente do que esperavam", disse Elza Rodrigues Pinto Oliveira, diretora da Escola Estadual “Mário D`Elia” e do curso de Matemática da Unifran (Universidade de Franca).
Para ela, umas das soluções para evitar o despreparo seria que o aluno durante a universidade levasse mais a sério os estágios oferecidos a eles. "Apesar de terem na grade curricular várias horas de estágio, ele não é bem aproveitado. É preciso mais responsabilidade", disse.
Na Unifran, cem alunos cursam licenciatura em matemática (curso de três anos, por R$ 399 mensais) e a grade conta com 13 professores. Lá a instituição não encontra dificuldades para contratar seus professores. "Como a disciplina faz parte da área das exatas, a maioria dos nossos professores são flexíveis e lecionam em outros cursos também", revelou Elza Oliveira.
Há exemplos de profissionais apaixonados pela área. Maria Luisa Cervi Uzun, mais conhecida como professora Malu, sempre apreciou a disciplina quando era criança. "Nunca tive dificuldades (com a disciplina). Só tirava notas boas na escola". Quando cresceu, a escolha da carreira não foi difícil. "Quis fazer matemática não por gostar de números e sim pela complexidade da ciência exata. É muito gostoso", afirmou.
Malu cursou Matemática na Unifran há sete anos e hoje dá aulas de método quantitativo, estatística e matemática financeira na própria universidade em diferentes cursos no período noturno.
Durante o dia ainda leciona física para alunos do ensino médio na escola Sesi em Franca. Para ela não foi difícil entrar no mercado de trabalho. "Fui uma boa aluna e gostava do que fazia. Foi natural receber alguns convites para trabalhar". Aos novatos na carreira ela dá a dica. "É preciso determinação e dedicação, aí com certeza não faltará trabalho", revelou.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.