A partir desta semana, 300 funcionários do setor de produção da Carmen Steffens terão jornada de trabalho mais "enxuta".
A medida foi a alternativa encontrada pela empresa para evitar que os trabalhadores fossem demitidos. Na semana passada, a fábrica de calçados femininos anunciou a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho para evitar as dispensas. O acordo, pela lei, deveria ser homologado pelo Sindicato dos Sapateiros, mas a entidade não aprovou a proposta. Mesmo diante da recusa, o proprietário da fábrica, Mário Spaniol, decidiu implementar a redução.
Pelos próximos 70 dias, até 15 de maio, os 300 funcionários trabalharão três dias por semana. A jornada será de segunda a quarta-feira, das 6h45 às 17h33, com intervalo de uma hora para almoço. Na quinta e sexta-feira, folgarão. Os dias parados serão compensados da seguinte forma: 1/3 será descontado no salário, sendo um dia por mês, a partir de abril, e 2/3 serão compensados em trabalho nos períodos em que a empresa estiver com a produção em alta.
Sem o aval do sindicato, a empresa assume os riscos de ter de arcar com possíveis queixas de funcionários insatisfeitos. Ontem os Departamentos Jurídico e de Recursos Humanos da Carmen Steffens prepararam os documentos para serem protocolados no Ministério do Trabalho, Ministério Público e nos Sindicatos da Indústria de Calçados e dos Sapateiros de Franca.
Até a tarde, o material não havia sido entregue nas instituições. "Como anunciado anteriormente, estamos cuidando de todos os trâmites legais para embasar os acordos dentro da legalidade", disse Adriana Mendonça, uma das advogadas da empresa, que preferiu não dar detalhes sobre os procedimentos adotados pelo departamento jurídico.
Na sexta-feira, antes da decisão de implementar a diminuição da jornada, a Carmen Steffens realizou votação entre os funcionários e 73,8% aprovaram a medida. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, é contra o acordo. "Achamos um absurdo. Temos convicção de que logo, logo os trabalhadores vão se rebelar contra essa medida grotesca da empresa. Ela não discutiu nenhuma medida anterior às demissões. Não vamos assinar esse acordo", disse ele.
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