Quem conhece um pouco da história dos carros sabe que o Opala reinou nos anos 1970 e 1980 como veículo de luxo e foi um dos mais cobiçados do País. Mesmo com a fabricação encerrada há 17 anos, existem até hoje fanáticos pelo modelo. Quem tem menos de 30 anos pode perguntar ao pai, tio, avô ou irmão mais velho se um deles teve vontade de possuir ou pelo menos dirigir o modelo. A resposta será positiva na maioria dos casos.
Engana-se quem pensa que apenas só quem tem mais de 35 ou 40 anos é apaixonado pelo Opala. Um exemplo deste fascínio é o estudante Ielcker Garcia Martins Júnior, 10, que herdou do pai o gosto pelo modelo, ao vê-lo cuidar com tanto carinho dos dois Opalas que possui. Júnior, sempre que pode, está ao lado do pai cuidando dos automóveis e declarou que um dos carros será seu quando tirar a sua carteira de habilitação. "Eu nunca precisei incentivá-lo. A paixão vem dele mesmo", afirmou Ielcker Martins, o pai.
O "caso de amor" de Ielcker, o pai, que é o presidente do Opala Clube Franca, começou quando ele tinha 19 anos. "Foi o primeiro carro que comprei, ainda quando era solteiro. Depois disso, foram mais 14 diferentes. Tenho outros veículos, mas a paixão é mesmo o Opala", conta o representante comercial, que guarda três modelos em sua garagem: dois cupês, anos 1976 e 1979, além de uma Caravan 1986. O modelo marrom 79, aliás, é o xodó. Foi todo restaurado e ganhou motor com preparação esportiva, som potente e rodas de aro 15. "Esse carro não tem preço de venda. Gastei cerca de R$ 40 mil para reformá-lo", afirmou. É justamente este o carro pretendido por Júnior.
<b>LAKAMÓVEL</b>
A paixão pelo Opala não é algo exclusivo da família Martins. O DJ João Ricardo Pereira Mendes, 33, não faz parte de nenhum clube de donos de Opala, mas sua paixão pelo carro o credencia tranquilamente a isso. Há oito anos possui um Opala branco, ano 1975, com o nome adesivado nas laterais.
"Foi o meu primeiro carro e com certeza o último. Não troco por nenhum outro", disse. A história de João com o veículo começou em 2000, quando ainda era operador de som em uma rádio. Ao sair do emprego, com o dinheiro do fundo de garantia em mãos, resolveu comprar um carro, mas não encontrava um ao seu gosto. "Procurei diversos modelos, até que um amigo me indicou esse Opala. Quando o vi, fiquei impressionado. Ao dar a partida para testá-lo, tive a certeza de que havia encontrado o que queria", afirmou.
Hoje o "Lackamóvel" - nome com o qual o batizou - o acompanha por todos os lados, transportando seu equipamento de som. "É meu amuleto da sorte. Nessa mesma época em que comprei o carro comecei a tocar profissionalmente e a fazer sucesso", completou.
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