Sabedoria que vem das arquibancadas


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Alguém se lembra da frase “Bota ponta Telê”? Ela virou bordão em uma Copa do Mundo perdida pelo Brasil. Com um time excepcional nas mãos, Telê Santana não conseguiu entrar para a história e tirar o País da fila. Por todo o País, os torcedores queriam que o renomado treinador alterasse a escalação da equipe. Ele nunca atendeu o desejo da torcida. Por obra dos deuses, ele perdeu - duas vezes seguidas. Mas entrou para a história como o formador de uma das maiores seleções de futebol que o Brasil já teve. Se teria ganho em 1982 e 1986 caso tivesse acatado a sabedoria popular ninguém nunca saberá. É passado. No entanto, em Franca, temos a oportunidade de ver a história se repetir, até aqui com uma pequena alteração. Tanto no futebol quanto no basquete a voz da arquibancada é a mesma. Quem acompanha de perto o desempenho da Francana e do Franca Basquete pede há muito mudanças na tática das equipes. Aparentemente, Polozzi e Hélio Rubens Garcia estão antenados com as solicitações. Edson Boaro deixou a Francana de forma surpreendente sem atender os apelos para que colocasse dois atacantes no time. Ele saiu e Silva Rossato deu continuidade. Não perdeu, mas também não ganhou. Polozzi chegou, mudou o esquema e satisfez o desejo que vinha das arquibancadas, da imprensa. Ganhou três partidas seguidas, chegou à vice-liderança do Campeonato Paulista da Série A-3 e ostenta uma campanha invejável. Tá certo: ele pegou times fracos e sem organização. Mas as vitórias deram confiança e motivaram os torcedores. Mais de 5 mil pessoas no Lanchão, como no último domingo, contra o Palmeiras B, é algo que há muito não se via. O verdadeiro teste será amanhã. Contra São Carlos, amanhã, fora de casa, a Francana terá a chance de mostrar qual seu verdadeiro objetivo neste Estadual. O adversário tem uma boa equipe. Joga para frente, é organizada e tem bons atletas. A Veterana também os tem. Será um jogão. Quanto ao basquete o pedido de dar oportunidade aos mais jovens foi atendido na última partida. Contra Lajeado, depois de muito tempo, Hélio Rubens Garcia permitiu às revelações permanecerem mais tempo em quadra. Ele priorizou o rodízio dos jogadores e assim teve todos descansados durante a partida. Mesmo com o time ainda desfalcado, as revelações tiveram chance de ouro e deram mostras de que podem ser úteis. A vitória sobre um time fraco por larga margem de pontos foi menos importante do que a forma como o jogo foi vencido. Franca não teve sobressaltos maiores. Não permitiu os sustos a que vinha submetendo os torcedores. A garra, a determinação e a vontade com que os Cauês, Deivisson, Gorauskas, só para citar estes, atuaram não permitiram qualquer reação ao adversário. Há quem diga que Hélio Rubens tem diante de si uma nova geração de atletas, capaz de substituir a de Rogério e Helinho. É cedo para dizer, mas que o treinador tem de dar maior atenção aos garotos é inegável. Deixá-los no banco, é condená-los ao ostracismo e o time, ao fracasso. O ideal é a mescla de jogadores. A experiência unida à juventude. Só assim as pernas descansadas de um garoto chamado Cauê pode auxiliar a mão certeira de um craque como Rogério. Tanto no Lanchão quando no Póli o que se ouviu após os últimos jogos da Francana e do Franca Basquete foi o mesmo. Os respectivos treinadores ouviram as arquibancadas e saíram do campo de jogo recompensados da mesma forma que o esforço dos atletas. A Francana conheceu três vitórias depois da mudança. O basquete fará amanhã sua segunda partida e tem chances de alcançar outro triunfo. Basta ouvir a sabedoria que vem das arquibancadas. CERVEJA CARA O público no Estádio Lanchão aumentou muito. Na vitória contra o Nacional (4 x 1) foram 907 pagantes, segundo a Federação Paulista de Futebol, e no último domingo (4 x 0 Palmeiras B) esse número chegou a 2.886, de acordo com a diretoria da Francana. A agremiação não tem do que reclamar. Só a torcida chiou muito com o atendimento nos bares e o preço da cerveja. O copo custa R$ 3 e o sistema de venda, sem ficha e com duas a três pessoas no atendimento, ocasionou filas longas, muita demora e reclamação. PM RIGOROSA A fiscalização da Polícia Militar no jogo de domingo, entre Francana e Palmeiras B, foi rígida e não deixou ninguém escapar dela. A PM fez revista até em repórter, fotógrafo e carros da imprensa foram parados para que houvesse uma vistoria geral. O motivo era evitar a entrada de algo que pudesse atrapalhar o espetáculo, como armas. Pelo jeito, o policiamento anda duvidando até dos céus. PRESENÇA FEMININA A diretoria da Francana liberou a entrada de mulheres no último domingo no Lanchão. E acertou. Além de colorir o ambiente, a decisão deve ter reforçado o caixa. Cada uma foi acompanhada do marido ou namorado e aumentou o público presente. Resta a dúvida: vale mais incentivá-las e assim atingir os homens ou deve-se cobrar ingresso delas para que a renda seja ainda maior conforme pensamento de várias administrações anteriores do clube? Não sei. Só observei que o estádio estava muito melhor no domingo passado e não pareceu que a decisão tenha afetado a arrecadação com a partida.

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