Após uma semana desgastante, os 700 funcionários da produção da indústria de calçados Carmen Steffens deverão ter um alento. A empresa, depois de afirmar na quinta-feira que sua produção caiu de 2,8 mil para 1,6 mil pares por dia e que poderia demitir 300 empregados, deverá anunciar, entre segunda e terça-feira, acordos individuais de flexibilização das jornadas de trabalho, o que evitaria as dispensas.
Segundo a empresa, os funcionários trabalharão menos, terão sensível redução em seus salários, ficarão devendo horas, mas seus empregos serão preservados. A maioria dos empregados apoiou a medida em duas assembléias realizadas durante a semana. Muitos pressionaram o Sindicato dos Sapateiros a fazer o mesmo, já que a homologação da entidade é obrigatória, mas não obtiveram êxito. O sindicato continuou contrário à flexibilização, mas garantiu que não levará o caso à Justiça do Trabalho (leia mais no site) em respeito aos trabalhadores.
O proposto pela Carmen Steffens é que a jornada - de 9 de março a 15 de maio - seja de três dias por semana, de segunda a quarta-feira. De quinta a domingo, os funcionários folgariam. Os dias parados seriam descontados gradativamente. “Vamos supor que o funcionário parou 15 dias úteis: um terço (cinco dias) vai ser descontado (do salário), um dia por mês. E o restante em horas trabalhadas futuras”, disse o proprietário da empresa, Mário Spaniol.
A dúvida, agora, é em quais moldes o acordo será elaborado. O jurídico da Carmen Steffens trabalharia durante todo o fim de semana para, segundo a advogada Adriana Mendonça, “adequar a proposta à legalidade”. Os termos serão protocolados nos Sindicatos da Indústria e dos Sapateiros e no Ministério do Trabalho.
Spaniol afirmou que a medida é a única forma de se evitar as demissões. Sua previsão é que a produção volte ao normal somente em meados de maio, com o lançamento de novas coleções. Até então, seria inviável financeiramente manter o atual quadro de funcionários da produção.
As demissões prejudicariam, segundo o empresário, tanto os trabalhadores como a fábrica, que despenderia recursos com os desligamentos e, em curto período, com novas admissões e treinamentos. “Essas pessoas têm família, filhos, compromissos. E olhando o lado da empresa, não queremos perder a qualificação delas. São treinadas, conhecem nosso processo produtivo. Os dois perderiam”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.