Estamos no segundo domingo da Quaresma. Lentamente avançamos para a solene celebração da Vigília Pascal. À luz do evangelho da Transfiguração, somos convidados por Deus a um tempo especial de conversão, de mudança de caminhos.
Ao nosso redor, tantas coisas mexem com o coração e desafiam a nossa fé. No livro do Gênesis, há uma pergunta intrigante: como é possível Deus pedir a um homem que sacrifique seu filho?
No tempo de Abraão era costume oferecer aos deuses os próprios filhos,queimando-os em fogueiras.
Na verdade, o texto quer nos mostrar que Deus condena o costume pagão de sacrificar crianças. Ele é o Deus da vida e não da morte. Os ídolos é que exigem sacrifícios humanos e não o Deus de Israel. Por causa do deus mercado, cujas catedrais são os shoppings, cuja espiritualidade é o consumismo, cujo culto é o lucro, cujo coração é o dinheiro e não a pessoa humana, morrem no mundo, diariamente, milhares de pessoas por fome e violência.
O texto ressalta a fidelidade de Abraão. Ele acreditou profundamente em Deus.
Deixou tudo, cortou os laços com o passado, partiu para uma terra longínqua, porque tinha certeza que Deus lhe daria uma descendência numerosa. E como resultado, dele nasceu um novo povo que caminha movido pela fé.
O texto da carta aos Romanos confirma a aliança de Deus com Abraão e a humanidade: a salvação é oferecida a todos os homens, por isso, Paulo proclama bem alto: “Se Deus está conosco, quem será contra nós”? No contexto, está a multidão dos pecadores para serem julgados. Eles reconhecem os seus pecados. Tremem de medo. Mas eis a surpresa: ninguém aparece para acusá-los e ninguém se levanta para condená-los ou destruí-los.
Deus, aquele que tudo conhece e tudo sabe, é o único capaz de lavrar a sentença condenatória. Mas não os acusa nem os condena, porque entregou o seu Filho para salvá-los. E vamos mais longe: Jesus também não os condena. Jesus morreu para destruir os pecados e libertar os pecadores.
No evangelho, na narrativa da Transfiguração, Jesus sobe com três discípulos para um monte muito alto, num lugar solitário. São os mesmos que irão testemunhar a sua agonia no Getsêmani.
Montanha é lugar simbólico da experiência de comunhão ou de intimidade com Deus.
Jesus deixa a planície, lugar que pode ser entendido como onde se vive na rotina, na lógica do mercado, nos conflitos de interesses, princípios que não casam com os desígnios de Deus Pai e geram a fome, a violência, a guerra, as destruições...
Jesus sobe com os três discípulos e os introduz na lógica do Reino.
Quer que eles entrem mais profundamente nos insondáveis desígnios do seu Pai sobre a vida e a missão do Messias.
A narrativa da Transfiguração está no centro do evangelho de Marcos. O evangelista quer responder a uma pergunta bem concreta: Quem é Jesus? O povo vai descobrindo que ele é o Messias. Mas não um Messias milagreiro, rei glorioso, espaço vencedor rico, poderoso, capaz de mudar rapidamente a condição da humanidade e fazer acontecer num rito mágico a presença do Reino. Pedro na montanha tem essa idéia e acredita que o Reino simbolizado nas três tendas, pode acontecer sem a doação, sem sacrifícios, sem a morte e a entrega da vida. Esquece que, para construir o Reino, que Jesus na transfiguração deixa entrever, é necessário passar pelo sacrifício da própria vida.
Os textos bíblicos de hoje nos levam ao encontro com Deus e nos apontam o caminho da doação e da solidariedade como caminhos de nossa Transfiguração, Ressurreição e Salvação.
Nossa atitude é permitir que o Senhor nos transfigure e fortaleça.
CAMPANHA DA FRATERNIDADE
Com o tema “Fraternidade e Segurança Pública” e o lema “ A paz é fruto da justiça”, a Campanha da Fraternidade 2009 quer despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, educando para a vida em fraternidade a partir da justiça e do amor, buscando a promoção humana em vista de uma sociedade justa e solidária.
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Comemorando e cumprimentando por esta data, lembramos a partir de Nossa Senhora, a força solidária e amorosa de todas as mulheres da terra que ajudam e muito na formação de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Toda mulher tem uma missão especial e bela no mundo. Parabéns. Orações e bênçãos especiais.
DENILSON CARVALHO
Retribuo os cumprimentos por minha centésima coluna, endereçadas pelo companheiro colunista Denilson Carvalho. Que possamos continuar utilizando este espaço que nos é oferecido pelo Comércio para contribuir por dias melhores.
PENSAMENTO
“A paz é fruto da justiça” (Is 32).
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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