Oi, queridinhas. Como vocês sabem, cheguei aos 50. Mas quantas memórias, amigas! Rodei por tanto lugares que nem sei mais. Foram mais de 150 países. No auge, lá pelos meus 20 e poucos anos, fui disputada, procurada, imitada. Por onde passava, aquelas menininhas rechonchudas ficavam me furando com os olhos como se eu tivesse culpa de ser americana e ter nascido loira, magra e com olhos verdes. Mas minha vida não foi esse glamour todo que vocês estão pensando, não. Acreditam que fui acusada de ter incentivado essas mocinhas que desfilam por aí a ser como eu, pele e osso? Isso eu não vou aceitar porque vocês sabem que é inveja. Já não basta meu nome ser usado por aí quando essas meninas de bolsinha e sapatinho passam. Ai que falta de criatividade.
Bem, não sei se haverá festa.
Beijos, Barbara.
Barbie, quem diria, chegou aos 50. Com um corpinho de 16, a boneca, que talvez seja o brinquedo mais cobiçado, vendido e imitado do mundo, entra na terceira idade em meio a inúmeros dilemas pessoais e financeiros.
Para tentar entender um pouco do mundo da nossa personagem, basta dizer que se fosse um país, só perderia em população para a China. Em cinco décadas, mais de um bilhão de exemplares foram comercializados em pelo menos 150 países. Atrás dela vieram coleções, roupas, assessórios, o namorado Ken, surgido em 1961, parentes e uma irmã.
A boneca, que tem 18 milhões de filiados em seu fã-clube e possui centenas de comunidades no Orkut, Facebook e Myspace, já foi acusada de deformar a imagem da mulher entre crianças e adolescentes e de estimular a anorexia. Hoje, com quase dez anos de queda acentuada nas vendas, ainda assim seu reinado parece difícil de acabar. Estima-se que, a cada segundo, duas novas barbies sejam vendidas no mundo todo.
Nascida Barbara Millicent Robert em 9 de março de 1959 na cidade de Willows, no estado americano de Wisconsin, a boneca-manequim tem 29 centímetros de altura, pernas alongadas e seios salientes para, digamos, parecer natural. Apresentada ao público na Feira de Brinquedos de Nova York, em 1959, causou polêmica por ser a primeira boneca com traços adultos e excessivamente magra. Ainda assim, acabou vendendo mais de 300 mil exemplares de cara.
Nas décadas que se seguiram à sua aparição, o mundo de glamour desta boneca transformou-se em ideal que muitas mulheres mundo afora gostariam de viver. Em 1961 ganhou um namorado, Ken, moreno alto, estiloso, esportista e bom vivant. O casamento foi longe, mas os dois acabaram se separando em 2004. Segundo as más línguas, o estilo independente de Barbara não era condizente com um casamento tão longo.
Para suas 108 profissões, roupas e acessórios combinando à altura. Em seu guarda-roupas passaram mais de um bilhão de peças, segundo o site oficial de Barbara. As últimas, criadas por Prada, Karl Lagerfeld e Alexander MacQueen, e vendidas por até US$ 15 mil, na versão real, durante a Semana de Moda de Nova York, no começo de fevereiro.
Além de vestir um uniforme camuflado em 1989, quando se alistou no exército americano, devidamente aprovado pelo Pentágono, a boneca já teve vestidos à Grace Kelly, nos anos 60, foi hippie e passou por Woodstock nos 70, mulher de negócios nos 80, até chegar à Casa Branca em 1992.
A imagem de juventude, beleza e sucesso, aliada ao modo de vida de uma classe nitidamente rica e privilegiada, tornou a boneca alvo de protestos como se ela pudesse responder pela sua personalidade e modo de vida, idealizados por seu criador, o engenheiro Jack Ryan, cuja vida, inclusive a sexual, nada infantil, foi mostrada no livro Toy Monster: the big and bad world of Mattel (O monstro dos brinquedos: o grande e malvado mundo da Mattel, em tradução livre), cujo lançamento, para breve, está tirando o sono dos donos da empresa que fabrica a esguia Barbie.
A Barbie tenista, executiva, rapper, ciclista, surfista, mas nunca dona-de-casa ou mãe, manda seu recado de apelo significativo: “Be anything” (seja qualquer coisa), vinheta promocional que acompanhava os exemplares, numa mensagem para que as meninas lutassem por seus sonhos, em mais uma antecipação histórica, desta vez a liberação feminina do final dos anos 60.
Seja qual for a interpretação que se faça de um produto como a Barbie, é bem provável que ela gere discussões em vários sentidos. Mas aos cinquenta anos, nada indica que essa moça loira, alta e magra vá se aposentar.
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