Festa


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Muitos estão ainda curtindo ressaca de Carnaval. A festa do povo enseja botar tudo pra fora, desde o desnudar lindas mulheres ao poder admirá-las livremente, ao travestir-se para mostrar-se como gostaria o ano todo. As mágoas ou recalques acumulados podem ser esquecidos ao som do samba e com ele no pé, na troca de beijos que não deixam marcas ou saudade ao lado de outros que acontecem para perpetuar histórias vibrantes de amor ou dramas de sofrimento e dor. O Carnaval, como festa anual, voltará no ano que vem para novo descarrego da alma do povo brasileiro. Enquanto aguardamos o próximo, devo falar de outra festa – esta permanente – de efeito lesivo ao povo brasileiro, tolerante, ordeiro e brincalhão. Sem considerar vices, apaniguados, adjuntos, suplentes, secretários estaduais, municipais, assessores e todo tipo de engodo imaginável, no Brasil se constata 59.420 políticos eleitos. Um presidente, 37 ministros, (indicados) 81 senadores, 513 deputados federais, 1.059 deputados nas assembléias, 27 governadores, 5.565 prefeitos e, pasmem os leitores, 5.2137 vereadores. Não pretendo cansar o leitor com análise pormenorizada de cada caso, no entanto, algumas lembranças são necessárias para fortalecer o anseio e esperança de que os responsáveis pelo poder adotem tendência ao cuidar da coisa pública em nosso País. O Brasil assiste assustado ao resultado do registro de candidaturas pelo Tribunal Eleitoral, sem o devido atestado de boa conduta. Basta mencionar o caso da Paraíba, onde um governador é cassado depois de dois anos no exercício do cargo por atos indevidos praticados durante a campanha. Em seu lugar toma posse um senador, envolvido em nove processos correndo na justiça. Para substituir o senador renunciante, um suplente é chamado pela casa a assumir sua função apesar dos vários processos a que responde no Judiciário. Até quando o povo carneiro irá suportar contraventores nos postos de mando com a proteção de leis e judiciário consagrando beneplácito a impunidade? Poderia ser entendido pelo trabalhador que um deputado federal custasse o que custa aos cofres públicos, se ocorresse à dignidade de apresentar comprovação de gastos com relatórios de serviços prestados em favor da população: seu menor custo ao mês pode ascender a mais de 253 salários mínimos atuais. Uma questão insolúvel – escusos interesses – reside na Constituição Federal assegurando aos municípios o número mínimo de vereadores (nove) remunerados. Há que se convir, nove vereadores em municípios com menos de 5 mil habitantes deve denominar-se vilipêndio. Urge revisão do procedimento político. O que hoje se faz, é uma sangria impiedosa na economia da união, Estados e municípios com características de crime. Garcia Netto Jornalista

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