Sem estresse


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O dicionário Aulete digital traz a seguinte definição de “estresse”: “esgotamento físico ou emocional causado por agentes de natureza diversa (trauma, doença, emoção, cansaço, tensão, etc.)”. Esse vilão invisível (de efeitos visíveis) não apareceu do nada: nós o criamos com o nosso estilo de vida dito moderno. É a criatura que se voltou contra o criador. Agora é necessário domar esse monstrengo. Como? Mudando o modo de compreender a vida e agindo diferente em várias situações do dia-a-dia. É necessário controlar a tensão, a ansiedade, a raiva, o medo, etc., pois uma coisa puxa outra, em regra, da mesma natureza. Tratar os outros de forma mais afável torna mais agradável a convivência. Com a falsa ideia de que somos ocupados demais, ignoramos outras pessoas que estão do nosso lado, como se só nós tivéssemos problemas, os outros não. Viver em comunidade exige apreço mútuo, respeito, espírito de grupo e não espírito de competição. O trânsito está tão caótico porque muitos motoristas não entendem que as vias públicas são espaços que devem ser compartilhados e não disputados. Na disputa um quer levar vantagem sobre o outro; na divisão cada um ocupa o seu espaço e respeita o dos outros. Quem está atrasado não pode pretender que todos os outros lhe abram caminho. É que os outros também precisam chegar. Se o fluxo fica lento por causa do grande número de veículos, não adianta se estressar. O filho não vai perder o ano se alguma vez chegar atrasado à escola. Há situações em que todos são vítimas. O trânsito lento é uma delas. Ao invés de aumentar a tensão com manobras perigosas, buzinar, ficar olhando feio um para o outro, etc., é melhor cada um aguardar com calma a sua vez. É preciso ter paciência, saber dominar as expectativas e as reações nas diversas situações; o mundo não vai acabar só porque certas coisas não saem como a gente espera. Na maioria das vezes o estresse vem porque gastamos mais energia do que o necessário. É imperioso evitar que se acumulem sentimentos ruins; não se deve guardá-los, mas sim fazer faxina mental com a maior frequência possível para superá-los e descartá-los; começar cada dia com a mente limpa e arejada; a mente comanda o corpo; se está limpa, com bons pensamentos, passa para o corpo coisas boas; do contrário, já sabem. Quando a mente não está bem, o corpo adoece. É possível controlar o estresse mesmo vivendo em ambientes e situações estressantes. Para tanto, é necessário condicionar-se. Com treino dá para aprimorar o poder de concentração, de modo a impedir que o que ocorre em volta nos atrapalhe. O modo correto de ver as coisas e de agir ajuda muito. É saudável: administrar bem o tempo, conhecer as próprias limitações, resolver os problemas de forma civilizada, ter espírito pacífico e desarmado, não criar confronto sem necessidade, saber ceder, saber relevar, não ter vergonha de passar por cima do próprio orgulho, não ser tão cheio de afetação, tão “casca de ferida”, não ficar dando chilique nem faniquito por qualquer coisa. Nem tudo nem todos estão no mundo para satisfazer as nossas vontades. Se a gente atentar para a vida, prestar bem atenção, vai entender que faz certas coisas porque precisa fazer, e pode, assim, torná-las agradáveis se as fizer com prazer e não por obrigação. Não dá para ganhar sempre e, portanto, é preciso aceitar a derrota. Na correria que nos esgota, é preciso mudar, ir mais devagar, tal qual a gaivota que sobrevoa o mar, não desperdiçar energia, andar na correta mão, não entrar em rota de colisão, levar certas coisas mais na maciota, passar um tempo com a patota, não querer mais do que a justa quota, o devido quinhão. Enfim, é isso aí, meu irmão. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro ‘Pensando na Vida’ – paulopereiracosta@uol.com.br

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