Durante as mais de duas horas de debate na Rádio Difusora ontem, o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, manteve a decisão de não anuir o acordo feito entre a Carmen Steffens e os funcionários para implementação da redução de jornada.
Para ele, se a entidade homologasse a decisão da Carmen Steffens, abriria precedentes para outras empresas requererem a flexibilização da jornada de trabalho. “Abrir a porta agora para a Carmen Steffens é abrir uma boiada (...). Se fizermos lá com o Mário, teremos de fazer para toda a cidade”.
Apesar de ser contrário à redução da jornada de trabalho e banco de horas, Paulo Afonso não apresentou alternativas para lidar com a mão-de-obra ociosa da Carmen Steffens nos próximos meses. “Pela minha experiência, o sistema capitalista tem contradições. Ou seja, nós, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçados de Franca, não temos a receita para todas as contradições”, disse, em resposta ao jornalista Corrêa Neves Júnior.
Depois de ser questionado várias vezes pelo jornalista sobre o que faria com os funcionários ociosos, sem ter o que produzir dentro da fábrica, Paulo Afonso apresentou uma resposta pouco convincente. “Se eu fosse um empresário, com a minha concepção, manteria os meus funcionários, não demitiria ninguém. Usaria parte do grande patrimônio que a empresa tem para manter esses trabalhadores”.
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