E quem disse que a arte é para ser entendida objetivamente?
Diferente de uma aula de matemática ou de ballet clássico de repertório, a dança contemporânea não tem o compromisso de transmitir mensagem única ao público. Quem disse que deveríamos ter deixado o teatro pensando todos a mesma coisa? (...) A arte não é isso. Arte é flexibilidade! É absolutamente compreensível e lógico que diante de um palco as pessoas tenham liberdade para apreender de diferentes maneiras o que foi apresentado. No caso dos “Faladores”, estávamos diante de uma apresentação artística, diante de um código expressivo contemporâneo. Não foi a falta de repertório ou a complexidade da proposta... foi a arte que possibilitou que as impressões fossem distintas. Isso porque ela é mesmo assim, estranha, multifacetada, fantástica. A arte não é para ser entendida ao pé da letra, muito menos de forma una. Dirige-se às faculdades perceptivas do homem e não intelectivas. Não pensamos arte, ela existe para ser fruída, sentida, absorvida à maneira de cada uma que a observe. Na arte não há convenção e por isso ela é tão bela e tão poderosa. Para cada artista e espectador a forma representada ou captada simboliza um conceito, uma ideia, um sentimento. (...) É pretensão querer transmitir por meio dela uma única forma de compreensão porque não se pode dizer o significado de uma obra, não se pode transmitir conceitualmente o sentido expresso nela... ela é livre, assim como seu público. Foi uma surpresa encontrar criticidade no caderno Artes do Comércio, mas discordo dessa tentativa de padronização, da padronização da maneira de “consumir” arte... chega a ser absurdo! Discordo também da maneira como matérias têm tratado de artistas de Franca ... Não somos espectadores alheios à arte que batem palmas educadamente para espetáculos que não entendemos... A arte nos acompanha - assistimos arte, fazemos arte, defendemos arte, educamos por meio dela e nossa lida é muito mais intensa que os repórteres que escrevem sobre o assunto talvez imaginem. (...) Na relação obra/espectador, cada qual entra com sua parcela de significados. É aberta, para que cada um complete seu sentido. Quanto mais leituras a arte permitir, tanto mais plena ela será. O espectador não é somente a testemunha que consagra a obra. É também o agente que a realiza.
Ana Carolina Diniz Costa
Franca - SP
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NOTA DA REDAÇÃO — O Jornal Comércio da Franca respeita a opinião da leitora Ana Carolina e concorda em partes com o que ela defende, em especial o trecho que diz “A arte não é para ser entendida ao pé da letra, muito meos de forma una”. É justamente essa liberdade de entendimento e expressão que a repórter Fernanda Martins exercitou ao escrever suas impressões pessoais sobre o espetáculo. O texto “O Estranho Momoês”, ao qual a carta da leitora se refere, foi publicado no caderno de Artes do jornal (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/ materia.php?id=40290) sobre a apresentação da peça “Os Faladores”.
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