Chegamos a um momento de crise da criatividade, que se deu após a turbulência de ideias dos séculos anteriores, em especial, das últimas décadas. O que não quer dizer, porém, que é o fim do ser criativo ou que já não é possível mais criar, uma vez que o processo continua ainda que paulatina e surpreendentemente. Parto da premissa de que a criatividade não é a mesma coisa que acúmulo de conhecimentos: aquela tem a ver com a fluidez da imaginação e o uso da inteligência e este, se refere simplesmente ao depósito de informação.
As eleições passadas formaram coleções de discursos políticos clichês ou que repetem como papagaio os de décadas ou até séculos atrás. O mais grave é que as propostas, quando existem, quase sempre se amparam em princípios implantados em outro contexto e importados por nosso País sem que se considere necessariamente a realidade em que vivemos. A menos, é claro, que se proponha construir uma ponte ou uma creche em tal bairro, e aqui alguns supõem que haja criatividade.
É cada vez mais profusa a cópia de trabalhos intelectuais por preguiça de um suposto criador. Os filmes que passam nos cinemas exigem um cuidado especial para que não se confunda ficção com realidade. Os de terror dificilmente saem dessa de casa amaldiçoada ou de mitificação do desconhecido; os de aventura trazem atos heróicos, quando não sensacionalistas, de final feliz; e o de histórias de amor às vezes contém algo atual para parecerem criativos.
Comentei de ideias que se oferecem como propostas para a regulação da nossa situação política e social e acrescento que, na televisão, ocorre processo semelhante, mas que se faz passar por novidade. Um programa tende a imitar o outro em função da audiência. São conhecidos os casos mais importantes. Ao “Se vira nos 30” do Domingão do Faustão, contudo, dou crédito como incentivador de manifestações populares de criatividade. Até mais do que atribuo às novidades de empresas de produtos fora do comum, que de tão estapafúrdios acabam sendo opções criativas. Poderíamos achar que a criatividade não está em crise porque nos tornamos mais exigentes.
Um olhar atento ao que o mundo já criou sugere, no entanto, que estamos num momento de crise da criatividade. Por mais que cada ser humano seja único e original (que gêmeos são completamente iguais?), o que parece faltar é a mobilização dos elementos que fazem da nossa realidade distinta e, portanto, autêntica. Deve haver algum jeito de continuar criando, ainda que não seja artista ou cientista. Nem todo criador o é dentro de uma profissão. O lado direito do cérebro é associado à criatividade. Quem sabe uma massagem neste hemisfério o reacenda.
Bruno Peron Loureiro
Bacharel em Relações Internacionais pela Unesp/Franca
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