Viver em sociedade é uma arte. O convívio com nossos semelhantes tem se tornado cada vez menos simpático e educado. Em nossos dias, o importante é o umbigo de cada um, o resto é o resto, mesmo que tal comportamento possa trazer algum prejuízo posterior.
Especialistas em reclamar e em cobrar dos homens públicos posturas decentes, somos os primeiros a agir de forma inadequada. Queremos ruas limpas, mas somos os primeiros a jogar papel de bala, bituca de cigarro e qualquer outro tipo de lixo pela janela do carro.
Somos exigentes com relação ao trânsito, e ao mesmo tempo sempre que possível damos um jeitinho de burlar as regras. Estamos preocupados com o meio ambiente, mas nunca em nossa vida plantamos uma árvore.
A contradição entre o discurso e a prática do povo brasileiro deve ser capaz de explicar, por exemplo, determinadas peculiaridades da política brasileira, em que o conselheiro econômico do presidente da República é ninguém menos que Delfim Neto.
A lista é grande, praticamente infinita. Reclamamos dos serviços médicos, sejam eles públicos ou privados, mas pouco ou quase nada fazemos para nos mantermos saudáveis. Insistimos em fumar, em comer erroneamente, em consumir bebidas alcoólicas, etc., etc., etc.
Dia desses assisti a um grupo de pessoas reclamando na televisão sobre as condições da praça do bairro. Com razão, argumentavam do mato alto, da sujeira, do entulho e principalmente da falta de iluminação. Tudo certo, não fosse a minha visão exageradamente holística, pois a praça não foi entregue à população naquelas condições, e nem tudo aquilo que se via aconteceu da noite para o dia. O problema é que ninguém quer assumir nada, absolutamente nada!
O cidadão mora em frente à praça e é incapaz de zelar para que ela seja uma extensão da sua casa. “É dever da prefeitura”, reclama o cidadão prejudicado, à espera da mão do Estado incapaz.
As incoerências se sucedem. Vejamos o caso da dengue, doença na qual a responsabilidade do controle dos focos é do cidadão.
Ninguém pode cuidar do próprio quintal senão cada um de nós, e mesmo assim todos os dias alguém é pego de surpresa com um foco de mosquito embaixo do próprio nariz. Somos irresponsáveis, inconsequentes e, principalmente, egoístas demais.
“Isso não é problema meu.” “Isso não é minha responsabilidade.” “Isso não me diz respeito.” É assim que justificamos nossa omissão diante de fatos dos quais poderíamos ser protagonistas! Nos contentamos em ser espectadores chatos e exigentes. Nosso senso de coletividade está em extinção.
NO HIPERMERCADO
Vá a qualquer um dos dois hipermercados de Franca e observe: quem estaciona o carro nas vagas reservadas para deficientes e idosos? É gente comum, sem nenhuma das particularidades garantidas pelo direito.
A ÁRVORE DO VIZINHO
Moro há mais de vinte anos no mesmo lugar. Meu vizinho tem uma árvore na frente de sua casa que rende boa e desejada sombra nesses dias quentes. Nem sempre, no entanto, ele pode se beneficiar do fruto do cuidado que sempre teve com a árvore. Algum espertinho sempre chega primeiro e com tranquilidade encontra ali proteção para o carro.
POR FALAR EM ÁRVORE
Não sou o primeiro a falar disso aqui no Comércio. Porque não se plantam árvores no estacionamento do Franca Shopping? E pior, no estacionamento de uma empresa recém-inaugurada na cidade, as árvores que existiam foram arrancadas. Por quê? Suja muito? Então está explicado...
COCÔ DE CACHORRO
Não é falta de assunto, não, é que irrita mesmo. Pela segunda vez sou obrigado a falar disso. Senhores donos de cachorro, o cocô dos bichos é responsabilidade dos senhores, enquanto proprietários... Até minha filha de 3 anos já sabe disso e reclama toda vez que tem que desviar-se de um montinho no caminho da escola.
ELES ESTÃO DE VOLTA
Os pichadores, que haviam desaparecido, voltaram! Nos muros da cidade já é possível ver os estragos produzidos por essa gente desocupada. Num muro é possível ler “cade os porco (sic)?”. Eu respondo: passaram por lá, escrevendo...
NEM TUDO É TÃO AZEDO
Existe a doçura das mulheres. E como domingo, 8 de março, é o dia dedicado às mulheres, com a licença de meu editor rendo aqui minhas homenagens a estas que sem nenhuma dúvida são o ponto de equilíbrio da vida em sociedade. Donas da sensibilidade e de força, a maioria hoje ocupa lugar de destaque. Pense: quantas mulheres fazem parte da sua vida, direta e indiretamente? Faça agora a sua parte. Reconheça. Nossa sociedade só continua justa e sensível em muitas coisas por causa delas!
NÃO É PIADA, NÃO!
Uma amiga mandou esta: como se chama um homem que perdeu sua inteligência? A resposta é “viúvo”. E a explicação está aí em cima.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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