Das mais de 5 mil crianças que concluíram a 4ª série do ensino fundamental na cidade de Franca em 2007, apenas 2,2 mil aprenderam o mínimo esperado em português e 2 mil, o que deveriam em matemática. Os números representam, respectivamente, 43,9% e 40,5% dos alunos da rede pública de ensino.
O levantamento foi feito pela ONG (Organização Não-Governamental) "Todos pela Educação" a partir da comparação do resultado dos jovens francanos na Prova Brasil 2007 - realizada pelo MEC - com um índice internacional que avalia a efetividade de sistemas educacionais em mais de 50 países, inclusive o Brasil.
O desempenho dos 4,6 mil estudantes da 8ª série foi ainda pior.
Segundo o levantamento, apenas 16,3% dos alunos que concluíram o ensino fundamental em 2007 nas escolas públicas de Franca conseguiram atingir a média e aprenderam o que era esperado na disciplina de matemática, ou seja, menos de dois em cada dez jovens. E em português, o índice é igualmente ruim, chegando a pouco mais de 25% de alunos com o aprendizado considerado adequado para esse nível de ensino.
Se transformados em notas, os resultados de acertos considerados dentro do esperado pela ONG para os alunos da 4ª série equivaleriam a 4 em português e 4,5 em matemática. Já para os alunos da 8ª, a exigência seria maior: 5,5 em português e 6 em matemática.
Para Alice Andrés Ribeiro, coordenadora de Pesquisa e Educação da ONG, a situação é preocupante. "Os números por si sós são muito baixos e em Franca ficam ainda piores se comparados à avaliação anterior, de 2005. Em dois anos a quantidade de estudantes que aprendia o mínimo caiu em média 3%, ou seja, não estamos avançando". A pesquisadora também garantiu que o quadro é o mesmo em quase todo o Estado (leia mais no texto de apoio).
A pedagoga Maria Lúcia Bittar, que atua em uma das escolas da rede estadual, acredita que, apesar dos baixos resultados, a situação hoje ainda é melhor do que há dois anos. "Desde 2008, os alunos recebem aulas de reforço para ajudar a evitar que o problema se transforme em uma bola de neve. Isso porque aquilo que eles deixam de aprender no primeiro ciclo vai refletir lá na frente", disse.
A secretária municipal de Educação, Leila Haddad, reconheceu que há uma defasagem de aprendizado. Segundo ela, quando assumiu a secretaria em 2005, começou a trabalhar na formação continuada dos professores para reverter o quadro. "É deles a maior responsabilidade em fazer com que o conteúdo chegue ao aluno. Para ajudar, desenvolvemos um método próprio de treinamento e multiplicação que tem dado bons resultados", disse (leia mais no texto de apoio).
A ONG E OS NÚMEROS
O método de avaliação da ONG "Todos pela Educação" foi criado em 2005 por uma comissão técnica para acompanhar o desenvolvimento do País no setor. Na época, a entidade estabeleceu como meta que 70% dos estudantes de todas as cidades tenham o conhecimento mínimo de matemática e língua portuguesa até 2022, ano do bicentenário da independência brasileira.
A organização elaborou, então, um conceito de "aprendizado adequado à série" que para ser alcançado exige que os alunos tenham uma pontuação mínima na avaliação do Ministério da Educação. O patamar de conhecimento mínimo foi estabelecido a partir do cruzamento de informações entre a Prova Brasil, que avalia os alunos da rede pública de ensino brasileira, e o PISA, um programa internacional que avalia o desempenho de alunos ao término da escolaridade básica obrigatória em mais de 50 países.
A ONG Todos Pela Educação reúne de empresários a gestores e entidades educacionais como Jorge Gerdau Johannpeter (Grupo Gerdau), Ana Maria dos Santos Diniz (Instituto Pão de Açúcar), José Roberto Marinho (Organizações Globo) e Viviane Senna (Instituto Ayrton Senna). Além de avaliar resultados, a entidade ainda promove discussões sobre Educação em seminários e campanhas publicitárias.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.