Mulher perde bebê e acusa Santa Casa de negligência


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INCONFORMADA - Anicéia Fernandes mostra o enxoval preparado para Murilo, morto aos nove meses de gestação
INCONFORMADA - Anicéia Fernandes mostra o enxoval preparado para Murilo, morto aos nove meses de gestação
Há pouco mais de nove meses, a sapateira Anicéia Mendonça Fernandes, 37, descobriu que estava grávida. Entusiasmada, deu a notícia ao marido Éder Frank, 35. Desde então, o casal planejava a chegada do filho. O enxoval estava todo comprado. Aos seis meses de gestação o resultado do exame de ultrassom mostrou que o bebê seria um menino, que ganhou o nome de Murilo. No último domingo, o sonho da família acabou. Anicéia, que vinha sendo consultada na Santa Casa, perdeu o bebê. A sapateira culpa os médicos do hospital pela morte e os acusa de negligência no atendimento. Murilo seria o quinto filho da sapateira, que disse ter feito corretamente o pré-natal. Passou por cinco ultrassonografias e nenhuma indicou problemas com a criança. “Foi uma gravidez saudável”, disse. Há duas semanas, com os nove meses de gravidez já completados, Anicéia sentiu dores e ficou preocupada ao encontrar um líquido em sua calcinha. Procurou a Santa Casa nos dias 19, 23 e 27 de fevereiro. Na última vez, afirmou que sentia o bebê mexer menos. As dores aumentavam e o líquido descia com mais intensidade. O diagnóstico foi idêntico nas três consultas. Os médicos teriam dito que a sapateira estaria com desconforto natural da gravidez. “Me deram uma injeção para dor e me mandaram de volta para casa”, disse. No último fim de semana, Anicéia voltou à Santa Casa pela manhã, onde exames constataram a morte de Murilo. “Ele ( o médico) falou logo, sem constrangimento”, disse. Indignada, a mulher não vê o caso como uma fatalidade. “Meu médico (da UBS) disse que se o Murilo não nascesse até o dia 28 teríamos que fazer novos exames porque já estava completando 41 semanas. Não deu tempo para isso”. O sogro e a cunhada de Anicéia registraram Boletim de Ocorrência contra a Santa Casa por negligência. “Não tem como trazer meu filho de volta. Só estou fazendo isso para não acontecer com outras pessoas”, disse a sapateira. SANTA CASA Procurada ontem pelo Comércio, a Santa Casa classificou o caso como uma “fatalidade”. A assessora de imprensa do hospital, Lila Crespo, disse que Anicéia foi consultada cinco vezes no hospital e que todos os procedimentos médicos foram corretos. “Em todas as consultas foram feitos exames de cardiotoque no bebê. Não tinha evolução para intervenção. Não era hora (de o bebê nascer). Na sexta vez que ela nos procurou e o trabalho de parto evoluiu para uma fatalidade”, disse. “Graças a Deus isso acontece muito pouco”, completou.

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