Impressionante. Não há outra palavra para descrever um acidente ocorrido quarta-feira à noite na descida da serra de Rifaina. Após passar por uma curva fechada, uma Parati derrapou lateralmente na pista por 20 metros, atravessou o acostamento, roçou o matagal, passou entre duas árvores e parou “em pé” sobre a cerca viva de uma fazenda. A parte dianteira ficou sobre as copas dos arbustos. O desastre só foi descoberto na manhã de ontem. Ao vistoriarem o veículo, os policiais constataram que havia um homem morto no interior. Mateus Fernandes Barbosa, 24, estava com o cinto de segurança enrolado no pescoço e no braço.
As evidências são de que a vítima teria planejado a própria morte. A Polícia Civil de Pedregulho abriu inquérito para apurar as causas. Entre as hipóteses investigadas, suicídio e homicídio.
O acidente aconteceu na Rodovia Cândido Portinari, entre os trevos de entrada dos distritos de Igaçaba e Alto Porã, dois quilômetros antes da Curva da Morte. Por volta das 22 horas, os caseiros da Fazenda Nossa Senhora Aparecida assistiam à televisão quando ouviram um forte estrondo. “Achamos que fosse algum caminhão que tivesse estourado o pneu. Aqui, passa carro direto e faz muito barulho. Por isso, não saímos para ver”, contou Roseli de Souza Barros.
Por causa das árvores e do desnível, quem passou pela rodovia não teve como notar. O acidente só foi descoberto quase dez horas depois. Quando acordou ontem cedo e saiu para tratar dos animais, o caseiro Emerson Sebastião Ribeiro de Souza deu de cara com a Parati projetada sobre as árvores. Ela estava na vertical e com as rodas dianteiras para cima. Sua casa fica a menos de 30 metros do local. Por pouco, não foi atingida. Ele chamou sua mulher e pediu para ela acionar a polícia.
A presença do motorista morto só foi descoberta quando os policiais chegaram e fizeram uma vistoria dentro da Parati. Auxiliar de escritório do Supermercado Peg Lev, Mateus estava deitado sobre banco que se quebrou. O cinto de segurança dava duas voltas em seu pescoço e uma no braço esquerdo. A mão direita segurava o cinto do banco traseiro.
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Para a perícia, não foi um acidente. A suspeita é de que a própria vítima tenha parado o carro pouco antes e passado o cinto em seu pescoço. Já com a Parati em movimento, teria puxado o volante bruscamente para a direita com o objetivo de se enforcar com o tranco. A tese de uma morte provocada ganhou força após o pai de Mateus confirmar que ele e outros familiares receberam mensagens do celular do auxiliar pouco antes do acidente, nas quais ele dava a entender que pretendia se matar.
“Foi um acidente inusitado e vamos agir em duas linhas de investigação. A mais provável é o suicídio, mas em princípio não podemos descartar a hipótese de homicídio”, disse o delegado Fábio Branquinho, responsável pela apuração do caso. Segundo o atestado de óbito, a causa da morte foi o enforcamento.
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