300 na rua


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16:45 - Ana Tereza, gerente de RH da Carmen Steffens, anuncia dispensas na segunda-feira
16:45 - Ana Tereza, gerente de RH da Carmen Steffens, anuncia dispensas na segunda-feira
Eram 16h45 desta quinta-feira, quando, com a voz embargada, a gerente de Recursos Humanos da Carmen Steffens, Ana Tereza Lara e Silva, comunicou pelo microfone a decisão tomada pela empresa: 300 funcionários serão demitidos a partir de segunda-feira, 9. Após o comunicado, o silêncio tomou conta do auditório da fábrica, no Distrito Industrial. Todos se entreolhavam, assustados com a notícia. A medida é resultado de uma queda-de-braço travada entre a empresa e o Sindicato dos Sapateiros, que representa a categoria. No meio do “ringue” estão mil famílias ameaçadas. O imbróglio teve início na última quarta-feira. A diretoria da Carmen Steffens se reuniu com o Sindicato dos Sapateiros e o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) para comunicar a necessidade de repetir a posição já adotada em outras empresas do País diante da crise financeira que assola o mundo. A empresa propôs a redução da jornada de trabalho e da remuneração dos funcionários por 70 dias para evitar a demissão dos 300 empregados. “Precisamos nos adequar à realidade que está escancarada por aí. O mercado está caindo. Reduzindo a jornada poderíamos preservar todo mundo. Daqui a dois meses começaremos a produção da coleção nova, de verão, e tudo retornaria ao normal”, disse Mário Spaniol, proprietário da Carmen Steffens, que reduzirá a produção de 2.800 pares por dia para 1.600. Pela proposta apresentada, os funcionários trabalhariam três vezes por semana e parariam na quinta e sexta-feira entre o dia 9 de março e 15 de maio. Por semana, acumulariam 15,5 horas de folgas. A compensação seria feita descontando 1/3 nos salários de abril e maio e 2/3 em banco de horas para serem compensados quando a produção retomasse o volume normal. Para implementar a redução de jornada, a Carmen Steffens depende do aval do Sindicato dos Sapateiros. Mas a entidade não aprova a medida. Paulo Afonso, presidente do sindicato, é categórico ao comentar o assunto. “A posição do sindicato é histórica e conhecida. Não aceitamos a flexibilização de nenhum direito dos trabalhadores, incluindo a jornada de trabalho. Isso foi acordado pela categoria em assembléia com mais de 5 mil trabalhadores (...). Existe uma disputa da empresa para impor o primeiro acordo de flexibilização. Ela tenta desgastar a imagem do sindicato perante a categoria. Não vamos mudar de posição”. Os funcionários aceitam a alternativa apresentada pela fábrica, mas com a negativa do sindicato, a diretoria abortou a proposta. “Eles (do sindicato) querem fazer bagunça. Essa não é nossa forma de encarar um problema. Do jeito que eles querem eu tenho de mandar 300 pessoas embora. Eu não gosto de fazer isso. São pessoas que têm uma família, que nos são úteis, que já têm conhecimento. Não sei se é birra contra nós ou se são assim com todo mundo. Esse sindicato para mim é da idade da pedra”, disse Mário. O empresário participa hoje do programa Hora da Verdade, da Rádio Difusora, a partir das 11 horas. CONFUSÃO O clima na Carmen Steffens começou a esquentar ontem pela manhã. No encontro com a empresa na quarta-feira, o Sindicato dos Sapateiros havia agendado uma assembléia com os funcionários para hoje, em frente à fábrica. Os sindicalistas anteciparam a ida à empresa. Ontem pela manhã, reuniram os mil funcionários na porta da mesma e fizeram a assembleia. A produção ficou parada por duas horas. Ao ser comunicada da posição da entidade - de não aceitar a redução da jornada -, a diretoria da empresa anunciou os cortes de funcionários a partir da semana que vem. Inconformados, mais de 80 trabalhadores seguiram para o sindicato que os representa, no Centro. Durante cerca de 40 minutos discutiram com o presidente Paulo Afonso. Os funcionários, exaltados e emocionados, pediram para o sindicato rever a posição e aprovar a proposta da Carmen Steffens. “Cada caso é um caso. Nós não queremos 300 funcionários na rua. Nosso desejo é manter nosso emprego nesses dois meses, com jornada menor de trabalho. Franca está sem emprego”, disse o mecânico Hélder Gonçalves, 40, que trabalha há um ano na fábrica. Os sindicalistas prometeram realizar nova assembléia, às 6h30 de hoje, em frente à empresa no Distrito Industrial. “Vamos explicar nossa posição”, disse Paulo. [FOTO2] Na outra ponta, a empresa já se arma para as demissões. Os gerentes do setor passaram a tarde de ontem reunidos decidindo quem serão os 300 demitidos. Dois critérios definiram os nomes: tempo de casa e qualificação. “Em primeiro lugar, demitiremos os que estão em contrato de experiência, os novatos. Depois, preservaremos os mais qualificados na empresa”, disse ela. A Carmen Steffens pretende manter os demitidos cadastrados e recontratá-los conforme necessidade a partir de maio. <b>MAIS</b> Ouça agora online o Debate sobre a demissão na Rádio Difusora, clicando <a target="_blank" href="http://www.interrogacaodigital.com/stream/?cliente=difusorafranca"><u>aqui</u></a>. Na manhã de hoje, no Jornal da Manhã, o presidente do Sindicato dos Sapateiros atacou a diretoria da Carmen Steffens. O áudio e outras informações no <a target="_blank" href="http://gcnvaz.wordpress.com"><b>Blog do Vaz</b>.

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