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Não suporto Carnaval, nem como foliã e muito menos telespectadora. Cada um é cada um e devemos respeitar as pessoas como são. Realmente “não somos vagabundos”. Para muitas pessoas, o Carnaval é sinônimo de trabalho. Vou até mais longe: para alguns é a única maneira de ganhar o pão do dia a dia. Infelizmente na sociedade fria e hipócrita onde vivemos o mito de sermos vagabundos ainda existe e é reforçado pela atitude de muitos políticos deste País. Parabéns ao Edward de Souza, pelo texto (leia em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=40678). Vanessa Dascanio Barretos - SP ***** Nos anos setenta, na falta de coisa mais interessante, a molecada ia sempre ver o carnaval de rua. Unidos da Cidade Nova, Ases do Ritmo, Aliados da Santa Cruz, Tupetão... As apresentações eram sofríveis, mas a inexperiência de adolescente não me permitia uma visão crítica sobre o assunto e tudo parecia até interessante. Neste ano, passados mais de vinte de “recolhimento”, minha esposa convenceu-me a ir ver a festa de Momo. Ao chegar, fui surpreendido pelo ótimo atendimento do pessoal do estacionamento, mas, ao aproximar-me da pista de desfile, observei que as arquibancadas estavam muitíssimo aquém da demanda. Resumo: ficamos de pé, no final da pista, ao lado do alambrado, vendo como que ‘por entre as grades’. Desconforto total! Vimos o final do desfile de uma escola. Como a seguinte “deu o cano”, uma pessoa, por meio do sistema de som, entretia o público elogiando-o e fazendo comentários de pouca pertinência. Dita pessoa pediu até aplausos para o pessoal da imprensa. Não entendi! Então, tiveram a ideia de percorrer o trajeto com um caminhão e sobre ele a rainha, as princesas e o rei Momo que, curiosamente, não era gordo. É a preocupação com a saúde invadindo todos os campos da cultura nacional! Pois bem, deu para passar o tempo enquanto a escola seguinte se antecipava para tapar o buraco. Valeu! Até meu filho pequeno gostou da rainha a quem qualificou de ‘formosura’ mas, em resumo, o carnaval de rua está muito pior depois de quase trinta anos! As escolas têm poucos elementos e tudo é muito pobre. Não seria o caso de investir e incentivar um Carnaval mais voltado para a participação do povo como há em tantas cidades? Um Carnaval espontâneo onde a criatividade de cada um pudesse dar um colorido especial a essa tradicional festa? Devo dizer, por fim, que reconheço o empenho, a boa-vontade e a dedicação das pessoas que mantêm viva essa tradição entre nós mas esse tipo de Carnaval depende de muito mais do que disso! José Antônio da Silva Franca - SP

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