É proibido fumar!


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Alguém é capaz de imaginar uma mesa de bar com umas quatro pessoas discutindo sobre qualquer coisa, com bebidas, tira-gostos, bolsas ocupando cadeiras e nenhum cinzeiro? Nenhuma fumacinha? Nenhum maço de cigarros nadando numa pocinha de gelo derretido? Isso pode ser visto hoje. Basta dar uma circulada pelos points de maior badalação de Franca. Faz algum tempo – se não estou enganado desde janeiro do ano passado – é proibido fumar em todo e qualquer lugar público onde haja uma parede, uma janela, teto ou qualquer forma de contato com outros ambientes. Semana passada fui ao café onde frequento no Franca Shopping, solicitei um cinzeiro e fui informado pela garçonete que meu pedido não poderia ser atendido porque agora, também lá, é proibido fumar. Uma das placas com o aviso, ironicamente, estava acima do enorme cinzeiro com areia. Devo confessar. A palavra proibir deixa-me irritado. Traz fortes lembranças da ditadura dos anos 60. É uma imposição, tira a liberdade. Por isso, decidi não entrar mais no shopping... Pronto! É um problema meu. Quero deixar claro que não concordo que fumantes andem no shopping soprando fumaça na cara dos passivos. Isso não é uma questão de direito de ninguém. Quem assim procede não tem é educação. Os direitos dos passivos precisam ser respeitados, tanto quanto dos fumantes. Ou será que mudaram o texto da Constituição e não me falaram nada? Será que tiraram aquele negócio do “todos são iguais perante a lei”? Agora, bem que podiam liberar uma errata, com um novo texto: “Todos são iguais perante a Lei e os fumantes são menos iguais”. Até porque, fumantes viraram bandidos, inimigos, burros e feios. Encher a cara de álcool pode. É social. Até cheirar cocaína é bem visto. A sociedade entende. Mas quem fuma não é perdoado. É olhado com pena, com desdém. Olham os fumantes e pensam: esse aí vai morrer. Como se eles fossem eternos. E o ex-fumante então? Um verdadeiro pentelho presunçoso. Julga-se um herói dele mesmo. Acha-se um gênio, um ser superior. E diz, feliz: fumei 30 anos, parei a tempo. A tempo do quê? De ficar enchendo o saco dos que fumam? Deixo claro que não estou aqui fazendo nenhuma apologia ao tabagismo. Sei das suas consequências. E estou atento. Acho até que a preocupação com a saúde do povo é legal, mas, pergunto: não seria melhor tabelar o cigarro com preços proibitivos, tipo R$ 39,90 cada maço ou, melhor ainda, proibir a fabricação de cigarros em todo o território nacional? Só tenho dúvidas se as tais autoridades têm peito para abrirem mão dos altos impostos arrecadados pela indústria tabagista, desde os tempos em que imitar John Wayne, Henry Fonda ou Bette Davis era considerado bacana. Afinal, se eles estão tão preocupados assim com a nossa saúde, porque não aumentam o salário mínimo, constroem residências dignas para a população ou fecham, de verdade, nossas três fronteiras para não permitir a entrada de armas e drogas? Isso também faria um bem danado para a saúde dos brasileiros. Mas nem tudo está perdido. Afinal, nessas terras onde qualquer gringo safado pode inventar uma ONG e meter bronca na nossa Amazônia, vai que um comerciante descolado resolve legalizar uma praça e mete um monte de mesas no meio dela... Pronto! Liberou geral. E, se o cara for bom de papo, consegue um patrocínio da Souza Cruz e a gente ainda vira atração turística. Já pensou? Aquele monte de passivos, mantendo uma distância segura para seus pulmões cor de rosa, pagando ingresso para ver a gente beber nosso chope, bater papo e fumar? Vai ser um barato! FRANCANA OFERECE ROSAS A Francana acertou em cheio desta vez. Para o jogo desse domingo, contra o Palmeiras B, no Lanchão, mulheres não pagam ingressos e ainda vão receber um botão de rosas à entrada do estádio. Domingo comemora-se em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher e a Veterana presta sua homenagem a elas. Seria maravilhoso, como nos velhos tempos, vermos o Lanchão lotado. Homens e mulheres torcendo juntos, num clima de respeito e muita paz. A CONTA É DO LULA Quem comprou carro e agora não consegue pagar as prestações, tendo que devolvê-lo, deveria mandar a conta para o presidente Lula. Afinal, não foi ele que mandou o povo comprar adoidado? NEGATIVO Neste abençoado País onde salário é renda, o Leão começa a dar suas mordidas. Praticamente nada mudou e a classe média - se é que ainda existe - deverá ser a mais penalizada. Pobre não tem o que pagar e rico não paga. POSITIVO O Brasil terá - até o final do ano - duas bulas de medicamentos: uma com linguagem técnica para os médicos, e outra voltada para o paciente, com informações mais didáticas. As letras, assim como o espaçamento entre os parágrafos no texto das bulas, devem ficar maiores para facilitar a leitura. Já era tempo de adotarem essas medidas. Algumas bulas no Brasil têm termos tão complicados e letras tão miúdas que se torna impossível a leitura e a compreensão. Só falta agora a maioria dos médicos, cujas caligrafias são inelegíveis, usar o computador para prescrever as receitas. Ou adotar a velha letra de forma. Decifrar garranchos não é moleza . CAVALOS FUMANTES O telefone da fazenda toca: - Os cavalos de vocês fumam? - pergunta o vizinho português. - Você tá louco, Manuel? Imagina cavalo fumando! - Pois então só me sobrou uma opção. - Como assim? Fale logo, português! - Pois bem... Se os seus cavalos não fumam, seu estábulo está a pegaire fogo! Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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