Neste fim de semana, mais uma criança morreu dentro de casa. Daniel Cintra, de apenas 1 ano, faleceu no último domingo depois de se afogar na piscina da fazenda onde vivia com os pais em Claraval (MG). A morte do garoto engrossa as estatísticas de acidentes domésticos na região.
Pelo menos oito crianças perderam a vida em suas residências entre janeiro de 2008 e 1º de março deste ano, segundo levantamento feito com base nas matérias do Comércio. Os números não representam a realidade. Muitos casos não chegam ao conhecimento da imprensa nem dos bombeiros. O mais preocupante é saber que muitas ocorrências poderiam ter sido evitadas com medidas simples.
As mortes foram provocadas por engasgamentos, queimaduras, afogamentos e intoxicações. O pediatra Eduardo Simões, em entrevista à Rádio Difusora, acredita que acidentes realmente acontecem, mas disse que é possível trabalhar para diminuir o risco de eles ocorrerem. “A melhor vacina para esses acidentes é a prevenção”.
Baldes de água não devem ser mantidos pela casa, pois há risco de afogamento. Piscinas devem ser cercadas para que crianças não tenham acesso fácil. Outro erro normalmente encontrado nas casas é o local de armazenamento de remédios e substâncias tóxicas e inflamáveis. A situação é ainda mais grave quando produtos de limpeza são armazenados em garrafas PET. “As crianças confundem com refrigerante. Esse tipo de embalagem deve ser descartado. É preciso usar recipientes neutros, que não despertem atenção e mantê-los longe do alcance”, disse o médico.
O comerciante Márcio Campos, 27, mudou os hábitos em sua casa após viver uma tragédia em outubro de 2008. Por anos, ele manteve um galão armazenando “pretinho”, mistura de álcool e outros produtos para pneus, no chão. A filha dele, Natália, 11, e o sobrinho Carlos Guilherme, 9, encontraram o produto e colocaram fogo, provocando uma explosão. Eles tiveram mais de 70% do corpo queimado. Até um dos rins do menino chegou a ser atingido. Carlos morreu. A garota ficou mais de cem dias internada na UTI e agora enfrenta a lenta recuperação com tratamento com as queimaduras na pele. Ela foi ferida nos braços, pernas, barriga, costas e rosto.
O ambiente mais perigoso da casa é a cozinha. Panelas devem ser usadas com o cabo voltado para o fogão, evitando que a criança as puxe ou alguém esbarre nelas. Facas, objetos cortantes e de vidro, assim como isqueiros e fósforos, devem ser armazenados em locais mais altos.
Os pais jamais podem deixar fios desencapados ou tomadas expostas em cômodos onde os filhos pequenos circulam.
<b>CUIDADOS BÁSICOS</b>
Após amamentar, as mães devem colocar as crianças para arrotar. Segundo o pediatra Eduardo Simões, a grande maioria dos bebês apresenta refluxo, seja fisiológico ou patológico, que é mais grave e exige tratamentos com medicamentos e até cirurgias.
O médico aconselha a deitá-las com a cabeceira do berço mais elevada para evitar complicações caso o alimento volte. “Assim a boca fica acima do estômago e evita engasgamentos. É uma medida simples, que não custa nada e pode evitar fatalidades”, disse.
Roupas apertadas e trocas de fralda após a alimentação também devem ser evitadas. “Quando a criança é deitada, o leite pode voltar”.
<b>DE OLHO. 24 HORAS</b>
O capitão Alexandre Luiz dos Santos, comandante do Corpo de Bombeiros de Franca, alerta os pais e outros adultos sobre os cuidados com as crianças. Ele concorda com Eduardo Simões e diz que a melhor medida para evitar tragédias é a vigilância permanente das crianças.
“A capacidade da criança descobrir o mundo é grande, então ela não desliga. Cabe ao responsável cuidar. Ela não pode ficar nem um segundo sem ser fiscalizada. A supervisão deve ser constante”.
Em muitos casos, quando a prevenção “falha”, os primeiros socorros deverão ser dados pelas pessoas que presenciarem os acidentes.
<i>*Saiba mais como cuidar das crianças no Especial do GCN na Web, clicando <a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/quem-somos-2/criancas-jovens"><u>aqui</u></i>
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.