Seja pela manhã ou no fim da tarde, preparar um cafezinho é algo comum, quase uma ação mecânica, na rotina de muitos brasileiros. Mas por trás dessa preparação há quem utilize seus dons e habilidades em cada detalhe do processo. Sob olhares atentos à história, tipos, textura e a cada passo que o fruto percorre, a arte de preparar uma boa bebida do fruto do cafeeiro é, também, uma profissão. É o barista. Em busca de uma "xícara perfeita", a atividade ganha destaque nas principais cafeterias de todo o País.
O profissional, especialista em cafés especiais e de alta qualidade, trabalha na mistura e inovação da bebida. Todas com o toque do grão acompanhado com ingredientes como leite, caldas, frutas, licores, chocolate, cremes, entre outros. A remuneração varia entre R$ 600 e R$ 2 mil nas capitais. Concursos anuais da profissão são comuns e os prêmios em dinheiro ajudam a “incrementar” a renda dos participantes mais talen tosos.
Para ser um barista, antes de tudo é preciso apreciar o famoso cafezinho. Foi essa paixão pela bebida que conquistou o jovem barista Ângelo de Paula Ferreira Pinto (foto), 18. Nascido em Franca, desde criança ele se interessa pela história do café. "Sempre gostei. Morei em fazenda aqui na região, já plantei e colhi muito café. Aí pesquisei sobre a profissão e decidi fazer um curso", esclareceu.
Em Franca e região ainda não há cursos específicos para baristas. Mas em capitais brasileiras como São Paulo e Rio Janeiro diversas cafeterias e associações oferecem treinamentos. "Fui para São Paulo e através do curso aprendi todas as fases da vida do café, desde a plantação, etapas de colheita e beneficiamento do grão até a torragem, moagem, extração da bebida e os métodos de preparo", disse.
Os cursos básicos de baristas possuem em média três módulos divididos em história do café, tipos de grãos e operação das máquinas. Além dele o aluno pode aperfeiçoar a teoria ao fazer o curso de "Latte Art", em que aprenderá técnicas de vários países na confecção e na decoração de cafés e capuccinos e criação de drinques. "Além de fazer este curso que me ensinou como preparar a bebida, fiz estágio não remunerado de um mês num famoso Café (o Octavio, da família Quércia) na capital", disse o barista, que pagou cerca de R$ 200 por oito horas de curso.
Além das cafeterias, o profissional do café pode trabalhar em restaurantes, hotéis, supermercados ou eventos. "O mercado de trabalho para os baristas está em expansão. Para mim foi ainda mais fácil conseguir um emprego, pois toda a minha família é envolvida com a história do café. Para completar, há dois meses minha irmã montou um Café (Santantonio) e me chamou para trabalhar com ela", contou.
O especialista explica que é preciso esforço para fazer um simples cafezinho. Uma consistência correta faz toda a diferença nas variações dessa paixão apreciada pela maioria das pessoas. E explica: "Os baristas sabem alguns segredos na preparação de um bom café. O grão deve ser moído na hora ou no máximo 30 minutos antes do preparo". O creme que se forma no topo também mostra qualidade. "Ele deve ter cor de avelã e ser uniforme e espesso, entre outras coisas." Além disso a lista de preparações de um barista vai muito além do expresso puro. Entre as delícias feitas com café estão bebidas refrescantes, como o Café Octavio. A iguaria leva sorvete de creme e Nutella.
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