A educação em sentido bem amplo sofreu profundas modificações nos últimos tempos. Nessa área, as transformações são demoradas. Elas não ocorrem da noite para o dia. Muito menos de um ano para o outro. Alterações no comportamento de uma geração podem levar até mais de uma década para mostrar os reais resultados.
Lamentavelmente, o que se vê ultimamente em termos de comportamento humano não é dos mais animadores. Claro, há exceções. No entanto, um bom padrão de convivência anda muito escasso nos dias de hoje. Devido a isso, até parece que a sociedade passou a ser composta somente de pessoas malévolas, sem nenhum sentimento de solidariedade para com o semelhante.
Talvez toda essa mudança para pior possa ser creditada à enorme permissividade no modo de criar e educar os filhos. Mas, agindo junto à família está a programação de televisão. Possivelmente influenciando, até mesmo antes, o próprio comportamento dos pais. Trata-se de um rolo compressor, que vai achatando todos os valores internos das pessoas.
Os programas de tevê só servem para mostrar a lei da vantagem. Tanto faz, na ficção ou na realidade, a demonstração corrente é de que a honestidade só proporciona prejuízo. O lucro aparece sempre com a esperteza ou com a transgressão da ordem estabelecida. A inversão de valores toma conta da vala comum do entretenimento eletrônico.
Se tudo dá certo, não existe motivo para preocupação. Outro dia, numa fila de banco, chegou um, como se diz entre eles, “mano”. Foi logo entrando na frente de outro “mano”. Uma pessoa de trás o advertiu do procedimento e ameaçou chamar o guarda. Um deles, então, disse, naquele sotaque característico e educado: ‘Pódi chamá, senhor, qui num dá nada, não’.
A falta de punição, que se inicia no próprio lar, passa pela escola, chega aos relacionamentos sociais ou profissionais e perpassa pelas agências públicas responsáveis pela fiscalização ou aplicação da lei e, provavelmente, seja a responsável por tanto desrespeito visto cotidianamente. Nada dá em nada! O chavão pegou e está na boca de muita gente.
Passarela, na definição do próprio Código Nacional de Trânsito, é uma obra de arte destinada à transposição de vias, em desnível aéreo, e ao uso de pedestres. Observe as existentes em Franca.
Nelas, quando não está parada uma aglomeração de usuários de drogas em plena ação, atrapalhando quem esteja passando a pé, tem então um motociclista transitando, como se estivesse numa via comum, construída com exclusividade para ele.
Viatura da Polícia Militar passa por baixo ou ao lado da passarela e os ocupantes fazem que não veem (sem acento, por conta da Reforma Ortográfica) nada daquilo que ocorre lá em cima. Qual seria o motivo da falta de abordagem pelo uso indevido da passagem aérea destinada exclusivamente a pedestres?
Se alguém, no seu direito, faz uso da passarela para atravessar a pé e se sente incomodado com a turba ou com algum motoqueiro, que fique quieto. Diante de qualquer ameaça, a resposta pode vir na forma do bordão: “num dá nada, não”.
Sabem que a polícia nem para (essa Reforma Ortográfica...) lá!
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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