Há crise? E daí?


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Não fale em crise, trabalhe! Esta frase, própria de parachoques de caminhões, ilustra bem o que deveria ser a orientação mais segura para todos os empreendedores. Há muito o que fazer, mas não há muita gente que saiba o que é para ser feito. O mais cômodo é ficar esperando o que vai acontecer, ver o que os outros vão fazer e, se der certo, copiar. Há quem ainda acredite que o governo tomará providências. Por incrível que pareça, ainda há gente assim, que nunca aprende! O fato é que – mesmo que seja complicado – nunca é tarde demais para tomar ação corretiva. Realmente, o que foi negligenciado durante anos agora aflora. A fatura da acomodação e da negligência gerencial está sendo apresentada agora e muita gente entra em pânico justamente no momento em que deveria manter cabeça fria e postura de comandante de um navio em perigo. Na indústria de calçados pouca coisa poderá ser feita na área de produção de forma a modificar algo durante tempo de crise. É óbvio que sempre há o que ser corrigido – desperdícios, ociosidade da parte da mão-de-obra, racionalização dos processos, melhor desenvolvimento de produtos em termos de economia e da racionalização etc., mas, dada a seriedade da crise, todas estas medidas seriam mais cosméticas do que radicais. Há vastos campos negligenciados e que podem significar a diferença para um futuro imediato: as áreas de gestão financeira, administrativa e de vendas. Nestas três, a gestão tradicional prima pela administração e direção da empresa pelo espelho retrovisor, ou seja, aplicando conceitos passados e ultrapassados. Pela experiência que tenho acumulado nos últimos tempos posso afirmar que a gestão administrativa e financeira atualizada, do terceiro milênio, pode ser implantada e funcionar no prazo de uma semana (semana de seis dias, trabalhando “de sol a sol”), desde que seja posta à disposição uma pessoa capaz, de mente aberta, suficientemente motivada para apreender e, haja números confiáveis e disponíveis. Para esta solicitação costumo aplicar a máxima ensinada no estudo da estatística: “Na falta de números, qualquer número serve para iniciar o processo”. O que abrange a gestão administrativa e financeira? Pela ordem de implantação é a administração de materiais, compras, cálculo de consumo e de custo, formação do preço de venda de acordo com o terceiro milênio, contabilidade de resultados, acompanhamento do capital de giro e planejamento financeiro. Deu para entender porque são necessários seis dias com bastante horas extras? A organização da gestão de vendas demora bem mais porque envolve situações externas nem sempre fáceis de dominar, mas também não há segredos. O sucesso de várias firmas que aceitaram a nova orientação – pensavam que tinham departamento de vendas onde, de fato, havia serviço de informações comandado por representantes comerciais – confirma como é importante dominar a situação em vez de ser dominado por ela. Em outras palavras, vender no lugar de ser comprado! As duas palavras mágicas para inverter uma gestão dirigida até agora pelo retrovisor são “planejamento” e “disciplina”. O planejamento é frequentemente confundido com a programação. Assim, é tarefa que é confiada a um auxiliar do auxiliar, quando na realidade se trata da tarefa mais importante de todas, a que deveria ser exercida pelo próprio gestor. O planejamento, como tal, começa pelo planejamento de vendas com base na capacidade de produção e no segmento do produto e do mercado em que a empresa está interessada. E a “disciplina” é a tarefa de executar o que foi planejado para atingir e programado para produzir. Parece fácil, mas tantos fracassos ao nosso redor demonstram que fácil não é. Como já disse tantas vezes, a única commodity irrecuperável uma vez perdida é o tempo. Vamos continuar perdendo e nos distanciando cada vez mais dos nossos competidores mais capazes e melhor preparados? Volto a citar Darwin, que ultimamente voltou a ser popular: “Não são os mais fortes ou os maiores que sobreviverão, mas os melhor preparados e adaptados”. O que vale para a natureza vale para os sapateiros também. Quem se candidata? POR ANTIDUMPING A associação nacional de fabricantes de calçados italianos está pressionando o governo para introduzir taxa antidumping contra importação de calçados do Vietnã e da China que estão deixando os calçadistas locais sem mercado. APESAR DE A Wolwerin World Wide, fabricante norte-americana que tem sua produção totalmente implantada na China, conseguiu alavancar suas vendas em 2008, mesmo e apesar de enfrentar queda de 3,2% no quarto trimestre do ano passado, quando foi lançada a campanha “Buy American!” (Compre Americano!) REDUZINDO A Adidas está promovendo internamente campanha de redução de custos. O comentário está no Suplemento Feminino de domingo, 22 de fevereiro, de O Estado de S.Paulo. Como foco, a eliminação de colagem das peças do cabedal e redução de 25 peças para 8 em um dos modelos. Exemplo a seguir. ‘DER SPIEGEL’ Der Spiegel, revista semanal alemã similar à nossa Veja, publicou em 20 de fevereiro fotografia de um enorme cartaz exposto em vitrine de calçados esportivos em Londres: “Yes! Estamos desesperados! Liquidação do estoque com descontos de até 80%!”. A foto mostra as marcas Umbro, Nike, Adidas, Reebok, Fila, Everlast, Lonsdale, Le Coq Sportif e Dunlop, entre outras. Tomara que esta “marolinha” não chegue até nós! Zdenek Pracuch Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br

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