Crise derruba preços de sucatas e ferros-velhos têm de demitir


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EM CRISE - O comerciante Romildo Garcia Vilar, em seu depósito no Jardim Aeroporto, demitiu 16 funcionários em seis meses
EM CRISE - O comerciante Romildo Garcia Vilar, em seu depósito no Jardim Aeroporto, demitiu 16 funcionários em seis meses
A crise internacional já produz reflexos no setor de compra e venda de sucatas em Franca. Nos ferros-velhos da cidade o preço dos recicláveis começou a despencar em setembro de 2008 e continua em queda livre até hoje. Em seis meses o produto mais afetado é o papelão, cujo preço caiu 86% no período. Outros materiais, como ferro e alumínio, também tiveram acentuada redução nos preços. Em consequência da redução os catadores viram sua renda despencar e os comerciantes começaram a demitir funcionários. Cinco depósitos da cidade foram consultados pela reportagem. Nos dois maiores, juntos, 33 empregados foram demitidos. Em ambos, há previsão de novos desligamentos. Há 43 anos atuando no ramo de compra e venda de sucatas, o comerciante Romildo Garcia Vilar afirmou que o volume de negócios caiu 70% nos últimos seis meses. "Meu principal cliente é uma multinacional siderúrgica, que não compra sucata de ferro há mais de 60 dias. Com o pátio cheio e os preços em baixa, não encontrei outra alternativa que não seja demitir funcionários", disse. Para conter os gastos, o comerciante também suspendeu a coleta de recicláveis em cidades da região. "Tenho 22 caminhões e atualmente 20 estão parados porque não tenho para quem vender a sucata. Retirar em outras cidades não compensa mais porque isso acaba com qualquer lucro", relatou Vilar. EMPREGO EM RISCO A crise no comércio de recicláveis está deixando apreensivo o sucateiro Milton de Souza Prado, 28, que trabalha em um depósito há oito anos e recebe R$ 660 mensais."Fico triste em ver tanta gente sendo demitida por causa dessa crise. Nunca vi algo assim. Se os preços continuarem caindo, tenho medo de ficar sem trabalho também, pois tenho família para cuidar", disse. Desde que foi demitida de uma fábrica de calçados há três anos, Maria Silvia de Oliveira, 48, passou a recolher materiais recicláveis para sobreviver. Em 2008 conseguia renda mensal de R$ 800. Hoje, não obtém mais do que R$ 300 por mês. "Só não parei de vender porque tenho filhos para cuidar e meu marido está desempregado (...). O tempo de vender sucata já passou, hoje dá até prejuízo".

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