Demitidos da Agabê ameaçam recusar plano de recuperação


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UNIDOS - Na foto, ex-funcionários da Agabê participam de assembleia. Sem pagamento, eles dão ultimato à empresa
UNIDOS - Na foto, ex-funcionários da Agabê participam de assembleia. Sem pagamento, eles dão ultimato à empresa
Os ex-funcionários da Calçados Agabê ameaçam convocar uma assembleia na Justiça e rejeitar o plano de recuperação da empresa que hoje está sob avaliação. Em encontro promovido há duas semanas pelo Sindicato dos Sapateiros, os demitidos decidiram dar prazo à Agabê para que ela apresente uma proposta de pagamento das rescisões contratuais. O prazo vence amanhã. Até a última sexta-feira, a diretoria da empresa não havia apresentado nenhum acordo. Desde que fechou as portas, em 1º de fevereiro de 2008, a Agabê apresentou apenas uma proposta de pagamento aos mais de 500 trabalhadores. Foi no último dia 14, quando a diretoria do sindicato reuniu mais de 400 pessoas e anunciou a intenção da empresa em pagar R$ 60 mil mensais, a partir de março, aos demitidos. A rejeição foi unânime. Segundo o diretor jurídico do sindicato, Pedro Nogueira, caso aceitassem a proposta, os ex-funcionários receberiam seus créditos por quase três anos. “É um prazo muito longo”, disse. A Agabê deve cerca de R$ 2 milhões aos trabalhadores. Os créditos são referentes a saldos de férias, 13º salário e multa do FGTS. O presidente do Sindicato, Paulo Afonso Ribeiro, disse que uma reunião com a diretoria da empresa deverá ser agendada nesta segunda-feira. “Como sempre, eles deixam para última hora. Vamos marcar esse encontro para achar um caminho. Não tendo isso, temos o encaminhamento dado pela assembleia. Nosso interesse é fazer com que a empresa respeite os trabalhadores e não impedir sua recuperação. Infelizmente essa foi a alternativa que nos restou”. Após o encontro com representantes da Agabê, o sindicato deverá convocar a assembléia para discutir com os ex-funcionários. A recuperação da Agabê não depende da aprovação dos demitidos, mas na assembleia de credores (em que todos os que possuem débitos a receber da empresa se apresentam e dão seu parecer quanto ao pedido de recuperação) eles podem ter um peso importante e acabar por influenciar outros credores a também recusar o plano. Sem o aceite da maioria, a Agabê terá a falência decretada. O advogado da empresa, Reginaldo Sthephanelli, foi procurado para falar sobre o assunto, mas não foi encontrado. Seu telefone celular estava desligado na tarde de sexta-feira.

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