E a festa de carnaval é uma festa interessante. Fico na dúvida se no carnaval veste-se uma fantasia, ou, simplesmente, despe-se daquela que se usa o ano todo. Carnaval também pode ser um bom momento para reflexão. Há mais de 20 anos, quando tinha tempo e pouca responsabilidade, aproveitava alguns feriados em retiro espiritual. Lembro do meu primeiro Carnaval em retiro, em São José do Rio Preto.
Quatro dias de silêncio absoluto mas, em determinado momento apareceu uma jornalista da Rede Globo e o presidente do encontro escolheu um idoso e um jovem para interromperem o silêncio e falarem sobre a experiência. Não, o idoso não era eu, naquela época eu ainda era jovem... O engraçado da história foi o sermão do presidente conosco. Afinal, iríamos para um jornal nacional. Obviamente, eu não assisti, nem tive como avisar amigos ou parentes, mas o presidente e amigos que assistiram. Gostaram do meu recado. Ainda bem!
Meu sobrenome combina com o meu local de trabalho mas também combina com Carnaval. Afinal, as origens da festa estão no deus romano Saturno. Trata-se de festejar a vida, a fartura, mas os festejos têm o componente de pôr para fora todas as frustrações acumuladas ao longo do ano, além de ser também despedida para a celebração da Quaresma, especialmente para os católicos. São quarenta dias em que se propõe aos fiéis o exemplo de Jesus Cristo, pela purificação do coração e pela prática da solidariedade cristã. O número quarenta aparece na Bíblia diversas vezes e sempre relacionado à penitência e conversão e é também o número de semanas para a gestação de um ser humano. Curioso, não?
No Brasil, desde 1964, a igreja organiza a Campanha da Fraternidade. A Fraternidade é o objetivo do plano de Deus: comunhão com Deus, com os irmãos, consigo mesmo e com a natureza. A cada ano, a Igreja apresenta um tema, uma realidade da vida que reclama ser melhorada para se atingir os desígnios de Deus. Neste ano, propõe "Fraternidade e Segurança Pública", com oito objetivos dos quais destaco o de desenvolver a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social a fim de que cada um possa se sensibilizar e se mobilizar, assumindo sua parcela de responsabilidade pessoal no problema da violência e na promoção da cultura da paz.
A violência interpessoal parece estar crescendo na direção do egoísmo, consumismo, drogas, direção perigosa, DST e sexo sem compromisso (isso sim é inseguro, conforme os norte-americanos que ensinam "condoms are not 100% safe, but less risky sex"). Começar um tempo de paz passa, necessariamente por compreender todas estas coisas.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva
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