Talvez a maioria da população não consiga vislumbrar com clareza os enganos e mentiras que a propaganda bem elaborada pode provocar na sociedade ao longo do tempo.
Quem poderia imaginar que o tão poderoso Tio Sam (os Estados Unidos da América) poderia, um dia, ter um governo tão intervencionista na economia e no American Way of Life, como o que sinaliza o atual?
Fico pensando como em um determinado momento histórico algumas personagens podem ser aclamadas e endeusadas e em outro podem cair no ostracismo total. Lembro, aqui, da ex-toda-poderosa Margareth Thatcher, prócer do neoliberalismo e defensora inconteste do Estado mínimo, na Inglaterra. Quanto estrago sua postura de contribuinte com a desregulamentação financeira internacional causou e continua causando no mundo!
Ouvindo o presidente Obama na noite da última terça feira de Carnaval, sobre as medidas que seu governo tomará na tentativa fantástica de salvar a economia norte americana, fiquei rindo sozinho. Não ri – e explico – da responsabilidade e senso de realidade do presidente americano. Isto sim, ri da “cara” que muitos teóricos brasileiros estariam fazendo, naquela momento, frente as propostas dele.
Fiquei imaginando o que estariam pensando sobre a decisão contida na Cláusula Buy American, do Plano Obama que estipula a compra de ferro e aço locais para obras públicas norte americanas. O protecionismo da grande nação americana me fez rir das vozes salientes que deitaram críticas sobre as atrapalhadas “licenças não-automáticas de importação, instituídas e retiradas de imediato pelo Governo Brasileiro”. A medida americana mostra o que uma nação soberana pode fazer para defender sua estrutura produtiva interna.
Fiquei imaginando a cara embasbacada dos que acham que o PAC é campanha eleitoral, quando o Obama disse que o governo investirá em pontes e estradas...
E os críticos do ProUni e do Bolsa Escola que insistem em dizer que esses programas não resolvem o problema educacional do Brasil (mas não dizem o que poderia resolver). O que eles tem a dizer à respeito do “auxílio-educação” que tio Obama dará à “todas as famílias americanas”?
Meu Deus, quase esquecia os críticos dos programas alternativos de energia que o governo federal insiste em lutar para que efetivamente aconteça. O que pensam da decisão do Obama de investir em energias alternativas para romper com a dependência do petróleo?
Pois é. Eu, que nunca cultuei qualquer mito e continuo achando que todas as ações das grandes personalidades servem tão somente para alimentar o repensar da sociedade no seu próprio futuro, estou adorando ver os mitos capitalistas sendo derrubados um a um. Era o que faltava (e precisava) porque os mitos comunistas já se foram, e faz tempo.
Agora, é realmente repensar uma nova filosofia de convívio mundial. Esse papo de nova ordem mundial é balela e poderá constituir-se em um novo mito. Uma ordem mundial única é impossível considerando-se as discrepâncias econômicas e sociais existentes no planeta. O que precisamos é de um manual de convívio humano que nos leve a, solidariamente, acabar com essas tais discrepâncias.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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