A cada uma hora e 40 minutos pelo menos um trabalhador francano se acidenta. Os dados são do Centro de Referência de Saúde do Trabalhador no município que registrou, em 2007, 4.944 acidentes de trabalho. No ano anterior, foram 2.129 notificações. Para a Secretaria de Saúde a situação, pode ser ainda pior.
Mesmo sem dados consolidados, o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, afirma que o registro de acidentes vem aumentando exponencialmente desde que um sistema especial de notificação foi criado em 2005. “Acredito que só daqui a cinco anos poderemos estimar o número real de acidentes de trabalho que ocorrem em Franca”, disse.
As vítimas mais comuns são homens com idades entre 20 e 29 anos que sofrem ferimentos leves nos membros superiores, principalmente nas mãos, e ficam afastados do trabalho de um a cinco dias. Dos quase 5 mil casos, 1.936 (cerca de 39%) são considerados mais graves e deixam os trabalhadores mais de 15 dias afastados de suas funções.
Para Ferreira, os números já indicam um caminho para prevenção. “Eles condizem com a característica manufatureira da nossa indústria calçadista. Agora nós temos que treinar os médicos, os atendentes, os técnicos de segurança do trabalho das indústrias e o pessoal das Cipas (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) das empresas para evitar acidentes com as mãos porque assim estaremos evitando mais de 40% dos acidentes de trabalho”.
O prenseiro Euzébio Constante Pereira, 30, engrossa a estatística. Ele trabalha na fabricação de solas em uma indústria do setor de borracha. Em dezembro, Euzébio bateu em um caminhão quando ia de moto do Bairro Leporace onde mora até o Distrito Industrial. Quebrou um braço e passou três meses em casa. “Essa é a primeira vez que me machuco com gravidade, mas já fiquei alguns dias afastado com um ferimento no dedo, o que, aliás, é comum na empresa onde eu trabalho”.
O levantamento dos acidentes é feito por um sistema de comunicação chamado Raat (Relatório de Atendimento a Acidente de Trabalho) que recebe todas as ocorrências das áreas que atendem urgências e emergências no município - Santa Casa e prontos-socorros - e das UBS (Unidades Básicas de Saúde) já treinadas para reconhecer doenças ligadas ao trabalho.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.