A Escola Municipal “Paulo Freire”, situada entre os jardins Aviação e Aeroporto III, na zona sul da cidade, tem sido utilizada como um verdadeiro playground por desocupados e marginais dos próprios bairros e do vizinho Jardins Santa Bárbara. Durante a noite e até de dia, principalmente nos fins de semana, dezenas de rapazes - e também garotas, em menor número - invadem o prédio público para jogar futebol, bater papo e até namorar. Mais grave ainda, alguns fazem uso de entorpecentes, roubam e depredam o local.
A escola não é murada, mas limitada por uma cerca de tela. No último dia 16, em uma das ruas laterais, o arame foi cortado e um buraco - por onde passava com folga um adulto - aberto. Do lado posterior, outro buraco, praticamente do mesmo tamanho. Segundo a dona de casa Elisângela Santos, 25, que mora nas proximidades, o estrago foi feito para facilitar o acesso ao interior do prédio. “Eles chegam em bandos e quase todos entram de bicicleta. Furaram dos dois lados porque se a polícia chega de um, eles fogem pelo outro”, disse.
No dia seguinte, uma equipe de manutenção da Secretaria Municipal de Educação esteve na “Paulo Freire” e fez reparos na cerca. Não adiantou. Dois dias depois, um novo buraco, do mesmo tama-nho, foi aberto.
Os funcionários da escola têm medo de falar abertamente sobre o problema. Limitam-se a pedir ajuda para a comunidade. “A Prefeitura faz a parte dela. As pessoas quebram, vem uma equipe e arruma. Torna a quebrar, vem outra equipe e arruma. O vandalismo não para por aqui”, disse uma professora.
PALCO DE CRIMES
Além do vandalismo, os invasores da escola deixam rastros ainda maiores. Muitas vezes, utilizam o prédio público para usar drogas. A estudante da terceira série SAV, 8 anos, disse que ela e suas colegas costumam encontrar pontas de cigarros nas dependências da “Paulo Freire”, tanto do convencional como de maconha, definido por ela como “enrolado em folha de caderno” e latas queimadas, utilizadas pelos usuários de crack. “Pelo que os meninos contam os marginais deixam de tudo na escola. Emporcalham mesmo”, disse o pedreiro Sebastião Souza Silva, 48, que tem dois netos matriculados na unidade e mora nas proximidades.
Vários equipamentos já foram levados da escola, inclusive de segurança. É o caso dos cabos dos para-raios. Não sobrou um sequer. Segundo um dos funcionários da escola, por ser de cobre, o material é cobiçado por viciados e facilmente vendido em ferros-velhos da cidade. “Devem ter virado droga (os cabos). É preocupante, pois as crianças ficam desprotegidas em dias de chuva”, disse, indignado.
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O servidor disse, ainda, que todas as sextas-feiras e em períodos de férias era necessário retirar todas as torneiras da escola para evitar que fossem furtadas. “A Prefeitura precisou colocar tudo de plástico. Ainda assim, é perigoso levarem só por vandalismo”, afirmou.
De acordo com Sérgio Buranelli, secretário de Segurança e Cidadania, a Polícia Militar e a Guarda Municipal fazem rondas constantemente nos arredores da escola e que quando os vândalos e marginais são flagrados as atitudes legais são tomadas.
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