No primeiro Carnaval após a implantação da Lei Seca, com grande efetivo nas ruas e com radares multando nas avenidas da cidade, a polícia fechou suas estatísticas com resultado positivo. Nenhuma pessoa perdeu a vida por causa de acidentes de trânsito na região de Franca. Desde 2003, não havia um Carnaval tão tranquilo. No feriado prolongado do ano passado, os desastres deixaram um saldo de sete mortos.
Durante a Operação Carnaval, realizada entre sexta e terça-feira, a Polícia Rodoviária atendeu a 15 acidentes nas rodovias estaduais que cortam a região. Apenas três pessoas se feriram com maior gravidade. No mesmo período do ano passado, foram dois mortos nas vias estaduais e outros cinco na João Traficante (Ibiraci), vicinal cuja fiscalização é atribuição da PM.
Para o tenente Cláudio Ferreira da Silva, comandante da Polícia Rodoviária, a paz nas estradas se deve ao rigor da Lei Seca e à intensificação da fiscalização realizada nos locais mais suscetíveis a acidentes. O consumo excessivo de bebida alcoólica no Carnaval sempre foi alvo de preocupação por parte da polícia. “O incremento da legislação, agravando as penalidades, com certeza é um fator que contribuiu para este resultado positivo. O trabalho de prevenção com o policiamento nos trechos de maior movimento também ajudou a evitar acidentes”. O baixo número de acidentes também se deve às pistas de boa qualidade e bem sinalizadas.
Nos comandos realizados em toda a região, os patrulheiros fiscalizaram 710 veículos e recolherem 16 por falta de condições de circular com segurança. Foram aplicadas 184 multas, a maior parte por excesso de velocidade e ultrapassagem em local proibido. “Dentre as ocorrências, destacam-se três casos de embriaguez ao volante. São motoristas que poderiam ter provocado algum desastre caso não tivessem sido parados a tempo”. Ao checar a documentação dos condutores, os policiais rodoviários também encontraram um foragido da Justiça. Por fim, recolheram 27 licenciamentos de carros e motos e quatro CNHs devido a problemas diversos.
A mesma tranquilidade verificada nas estradas também se repetiu na área urbana do município. Durante o Carnaval, os bombeiros atenderam a apenas cinco acidentes, quatro atropelamentos e duas quedas de motos nas ruas e avenidas da cidade. Não houve vítima grave. “Felizmente, as ocorrências ficaram abaixo do que normalmente acontece neste período de festa. O número de atendimentos no Carnaval deste ano equivale ao que fazemos num turno de 24 horas de trabalho em dias normais”, comentou o soldado Barbosa, responsável pelo setor de estatísticas.
VELOCIDADE EXCESSIVA
Dados da Polícia Militar mostram que, em que pese o reforço na fiscalização, ainda há motoristas francanos que continuam abusando e colocando em risco a própria vida e a de outros. Entre a manhã de sábado, dia em que foram ligados, até a noite de terça-feira, os radares eletrônicos flagraram 62 casos de excesso de velocidade nas ruas de Franca e nas vicinais João Traficante, Tancredo Neves e Felipe Calixto.
“Em 36 casos, os condutores estavam mais de 50% acima do limite permitido. Se batessem, certamente, provocariam alguma tragédia. A infração cometida por eles foi gravíssima. Por isto, perderam 21 pontos e vão ter a CNH suspensa por um ano”, contou o capitão Alexandre Wellington de Souza, comandante da Companhia de Força Tática da PM. Os policiais também flagraram dois casos de embriaguez ao volante dentro da cidade.
O Carnaval passou, mas os radares vão ficar. Como a maior parte das avenidas e ruas de grande movimento já recebeu as placas indicativas, os aparelhos vão ser deslocados para pontos aleatórios todos os dias. “Nossa intenção é coibir os excessos. A fiscalização eletrônica de velocidade tem servido como parâmetros para você parar o veículo e fazer outras intervenções de caráter criminal, como coibir furto de veículos e o tráfico de drogas, por exemplo”, finalizou o capitão Wellington.
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