É comum ouvirmos desde criança que o ano só começa depois do Carnaval, quando se varrem o confete e a serpentina. Na verdade, isso não passa de um grande mito e um desrespeito com milhões de trabalhadores deste País, que desde o primeiro dia útil de janeiro já pegam no batente sem descanso.
País do futebol, das mulheres bonitas, da abundância de recursos naturais, são alguns títulos que o nosso maravilhoso Brasil acumula, e não bastassem esses, somos ainda o País do Carnaval.
Uma festa sem-igual que atrai pessoas do mundo inteiro, curiosas e encantadas com o jeito faceiro que só os brasileiros têm de levar a vida, com talento para cantar, sambar e acima de tudo sorrir, mesmo em meio às adversidades.
Conhecido por sua alegria, mesmo sendo um eterno Pierrô disfarçado, romântico personagem sempre a camuflar sua miséria com trapos coloridos, estereótipos mais do que manjados de irreverente Arlequim, o Brasil é um lugar de todos os povos e raças. Um cantinho escolhido a dedo para celebrar a vida, descobrir culturas e enfrentar desafios. E com sua raça e coragem, mesmo em época de festa e samba no pé, o brasileiro não esquece a responsabilidade de cidadão.
Até no Carnaval milhares de brasileiros trabalham para mostrar ao mundo um espetáculo de cunho turístico, com isso atraindo gringos que vêm aqui gastar os seus dólares e, é claro, descansar. Afinal é preciso manter a imagem de País do Carnaval ainda que, para isso, haja necessidade de esconder os mortos e, num sorriso cínico, dizer que nada aconteceu.
Em nosso País, o Carnaval ganhou status de grande indústria, sendo um dos maiores divulgadores de nossa cultura. Proporciona milhares de empregos diretos e indiretos, movimenta nossa economia, agita o turismo, remexe nas indústrias de bebidas. Por essa razão é uma injustiça dizer que ninguém faz nada antes do Carnaval. É tachar o povo brasileiro de vagabundo.
Experimente dizer aos policiais militares e civis, médicos, enfermeiros, jornalistas e radialistas, aos trabalhadores dos hotéis, bares e restaurantes, ao pessoal da coleta de lixo, supermercados, além de muitos outros, que o Brasil só começa a trabalhar depois do Carnaval e eles mandarão interná-lo em algum hospício. Então, antes que algumas pessoas repitam maquinalmente que o ano só começa agora, depois dos festejos de Momo, sem nem sequer pensar na bobagem que estão falando, deixo a sugestão para que andem nas ruas nos meses de janeiro e fevereiro e observem melhor o país em que vivem.
ABUSO DE VELOCIDADE
Segunda-feira de Carnaval, 16h59. Saindo de uma parada no Posto de Saúde, no Centro de Franca, um ônibus circular desceu a Rua General Osório em alta velocidade. Como não havia passageiro no ponto em frente à fábrica Samello, o motorista acelerou, obrigando dois carros que trafegavam à sua frente a uma manobra brusca, um saindo para a direita, outro para a esquerda. Um dos carros por pouco não subiu na calçada e chocou-se contra uma casa. Deu para ouvir apenas o grito do motorista de um dos carros: “Assassino!”. A velocidade do ônibus era tanta que a placa não pôde ser anotada. É preciso um radar na Rua General Osório antes que ocorra uma tragédia de grandes proporções naquela via. Este é o segundo alerta neste sentido que trago à minha coluna.
RESPOSTA À ALTURA
O pai aproxima-se do filho que tirara notas baixas na escola e diz: “Fique o senhor sabendo que, com a sua idade, Rui Barbosa era o primeiro aluno da classe”. E o menino, sem se perturbar, contra-ataca: “E o senhor fique sabendo que, com a sua idade, Rui Barbosa era ministro da Fazenda”.
EXTRAORDINÁRIO!
Assessor dirige-se ao deputado e também professor: “Se Camões fosse vivo seria considerado um homem extraordinário?"
- Sem dúvida alguma! diz o deputado.
- Dê-nos uma razão dessa certeza, excelência.
- Ele teria mais de 400 anos, completa o deputado.
NEGATIVO
Nilton Santos, 84 anos, bicampeão do mundo, o maior lateral esquerdo de todos os tempos, conhecido como “Enciclopédia do Futebol”, está muito doente, vivendo praticamente de favores. É absurdo o País não valorizar os seus heróis, jogadores que entravam em campo sem pensar em dólares ou euros e em apenas defender a Pátria. Há alguns anos, o presidente da CBF (a sigla dá margem a várias traduções) Ricardo Teixeira prometeu plano de saúde para os craques do passado que estivessem em situação difícil e seus dependentes. Jamais passou da palavra à ação. Espera-se que o presidente Lula deixe um pouco de lado os banqueiros e donos de montadoras e olhe pra essa gente.
POSITIVO
O Conselho Nacional de Trânsito determinou que todas as montadoras instalem air-bags nos carros saídos de fábrica. A medida tem cinco anos para ser cumprida. Demorou, mas descobriram que pobre também tem direito a viver.
CALOR INFERNAL
Uma “loira” chegou ao hotel em Manaus e, como estava muito quente, abriu a janela. Minutos depois começaram a entrar pernilongos. Prontamente ela ligou para a recepção e reclamou: “Deixei a janela aberta por causa do calor e os pernilongos estão me incomodando, o que faço?”. O recepcionista a orientou: “Se a senhora desligar as luzes de seu quarto, eles irão embora”. Ela fez o que ele disse e os pernilongos sumiram. Depois de um tempinho, começaram a entrar vaga-lumes, e a “loira” tornou a ligar para a recepção, resmungando: “Não adiantou nada apagar as luzes, os mosquitos voltaram com lanternas”.
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.