Natália volta para casa depois de passar mais de 100 dias internada


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NOVA ROTINA - Dinalva Campos é vista à frente de sua filha Natália, que fica com o ventilador ligado o tempo todo para aliviar o calor e a coceira nas feridas causadas pelas queimaduras
NOVA ROTINA - Dinalva Campos é vista à frente de sua filha Natália, que fica com o ventilador ligado o tempo todo para aliviar o calor e a coceira nas feridas causadas pelas queimaduras
Natália Cristina da Silva Campos, 11, está em Franca, na casa de sua avó, no Jardim Luiza II, desde o dia 13 de fevereiro. O retorno da criança ao convívio familiar acontece depois de ela ter passado 103 dias internada na UTI do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Em outubro de 2008, ela teve 70% do corpo queimado durante uma brincadeira com o primo Carlos Guilherme da Silva, 9. Eles se queimaram com "pretinho" (mistura de álcool e outros produtos usada em pneus de carro) ao imitarem uma experiência vista na televisão. O fogo chegou a atingir um dos rins do menino, que morreu 12 dias depois do acidente. A garota sobreviveu. Para os familiares foi um milagre porque Natália também se feriu muito. O fogo atingiu seus braços, pernas, costas, barriga e os dois lados do rosto. Ela está com o corpo todo marcado e anda curvada. Passa o tempo todo com o ventilador ligado em sua direção para aliviar o calor e as coceiras nas feridas na pele. A expectativa dela é receber logo liberação médica para retornar à escola. "Gosto muito de estudar. Estou com saudades das aulas", disse ela, que chorou e não quis falar do acidente. O caminho para sua recuperação será longo. Desde que foi internada, em novembro passado, já fez sete cirurgias para enxerto de pele. Novas cirurgias estão previstas. Plásticas e uma operação para reconstruir os mamilos serão feitas nos próximos anos. Natália está fazendo acompanhamento psicológico e fisioterapia. Está proibida de tomar sol durante um ano. Também terá que usar uma "malha", espécie de macacão justo, para proteger a pele e ajudar na circulação durante 12 meses. Natália, os pais e os irmãos estão morando na casa da avó. A família tem passado dificuldades. Os pais dela estão desempregados. Os avós, que já cuidavam de outros netos, sustentam agora dez pessoas. Os gastos na casa dobraram. "Os dias têm sido muito difíceis. A gente não tem condições de sustentar tudo. Deixamos de fazer outras coisas para acudir a Natália", disse a avó Cleusa Campos, 48. A família pede ajuda. Natália precisa do antialérgico Polaramine 2 mg, frutas, verduras, um colchão encapado com plástico e lençóis. "Precisamos de um colchão como os de hospital para facilitar a limpeza. Quando ela deita, as feridas sangram e soltam secreções. No colchão de tecido, não dá para limpar e acaba ficando com mau cheiro", disse Dinalva da Silva Campos, 29, mãe da menina. Natália tem um pedido particular. Muito vaidosa, sempre cuidou dos cabelos, mas para fazer a cirurgia, foram raspados. Ela quer voltar a estudar, mas prefere usar perucas. "Ela não quer ir para a escola carequinha", disse a mãe. O endereço da família é Rua Francisco Peres (antiga Rua 121), 3393, no Jardim Luiza II. O contato da avó é (16) 3727-6084.

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