A sapateira Dinalva Campos, 29, é mãe de Natália Cristina da Silva Campos, 11, e tia de Carlos da Silva, 9. No dia em que as crianças se queimaram, ela chegou a vê-las em chamas, desesperadas e gritando de dor.
Comércio da Franca - A senhora se lembra do dia do acidente?
Dinalva Campos - Ah, não dá para lembrar muita coisa. Foi muito pânico. Na hora, só se via fogo, fogo e fogo.
Comércio - A senhora estava onde?
Dinalva - Eu estava no bar do meu marido, a três casas da minha. Eu já estava indo embora, aí eu escutei o estouro. Todo mundo gritou e, quando eu cheguei, já estava tudo pegando fogo.
Comércio - Como encontrou as crianças?
Dinalva - O Carlos estava em chamas. O fogo estava nos braços, nas pernas, em tudo. Foi muito desespero. Meu marido apagou o fogo dele com um pano.
Comércio - E sua filha estava onde?
Dinalva - Já estava no banheiro se socorrendo sozinha. Ela correu para o chuveiro quando foi atingida pelo fogo. Na hora que eu vi minha filha, o fogo já estava apagando, só tinha nos pés.
Comércio - Como ficou o corpo deles?
Dinalva - Na hora não ficou nada deformado neles. Na hora que entraram dentro do carro é que começou a cair a pele. Parecia que estavam derretendo. Eles gritavam e choravam muito. Minha filha é uma guerreira. Ela sentiu muita dor, muita dor mesmo.
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